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Novo Macau enfrenta mais investigações por desobediência
Terça, 13/03/2018
Há, pelo menos, mais três democratas que estão a ser investigados por desobediência. Os casos estão relacionados com alegadas violações à lei eleitoral, como acções de campanha fora do período oficial, revelou hoje a Associação Novo Macau (ANM), que diz sentir cada vez mais pressão das autoridades sobre o movimento pró-democracia.

Num balanço ao último ano, a ANM afirma que o “ambiente político piorou ” e que “a situação dos direitos humanos deteriorou-se”, com “frequentes” casos de “auto censura” e de “abuso de poder”.

Sulu Sou, vice-presidente refere-se, sobretudo, à polícia. O activista, que ficou com o mandato de deputado suspenso por ter saído do passeio durante uma manifestação, diz que há vários membros da ANM que estão a ser alvo de processos-crime “irrazoáveis”.

“Sentimos que a polícia ou as autoridades abusam do poder que têm para acusar os cidadãos que fazem parte do movimento democrático. Os dados apresentados pelo [secretário para a Segurança], Wong Sio Chak, também demonstram que, nos últimos anos, houve um grave aumento do número de acusações por desobediência. Há membros da Novo Macau que vão ser acusados. É uma tendência preocupante para Macau e é também uma grande pressão para uma organização política como a Novo Macau”, defendeu Sulu Sou, em conferência de imprensa.

Há dois novos casos que envolvem a associação: um está já no Ministério Público; outro está ainda a ser investigado pela polícia e envolve, por enquanto, dois suspeitos. A Novo Macau admite que o número de pessoas sob investigação venha a aumentar: os casos estão relacionados com alegadas acções de propaganda eleitoral fora do período oficial de campanha, o que pode valer mais acusações por desobediência.

Há já dois processos em tribunal contra o ex-presidente da Novo Macau, Scott Chiang. O activista foi acusado pelos crimes de dano e introdução em lugar vedado ao público por ter colocado uma faixa no antigo Hotel Estoril.

Scott Chiang é também acusado de desobediência, juntamente com Sulu Sou, por, alegadamente, ter contrariado as instruções da polícia durante uma manifestação organizada em 2016, contra o donativo de mais de 100 milhões de patacas à Universidade de Jinan. Este foi o último protesto organizado pela ANM.

Apesar das investigações abertas contra membros da Novo Macau, a associação vai continuar activa. “Estão, obviamente, a dizer-nos que somos maus rapazes (...) Para mim, o que o Governo consegue com isto é dar-nos força. Se, por um lado, nos dizem para nos portarmos melhor; por outro, dizem-nos que alguma coisa estamos a fazer bem. Caso contrário, não precisavam de se preocupar connosco”, comenta Andrew Cheong, membro de longa data da ANM.
O caso de Sulu Sou continua pendente: o deputado está suspenso há 99 dias.

O Tribunal Judicial de Base ainda não marcou nova data para começar a julgar o activista pelo crime de desobediência, relacionado com a manifestação de 2016.
Sulu Sou entende que estão reunidas todas as condições para o julgamento começar. Já o Ministério Público entende que a audiência só pode arrancar depois de o Tribunal de Última Instância decidir sobre o recurso que opõe o democrata à Assembleia Legislativa.

Sónia Nunes