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Académico “chocado” com caso Rota das Letras
Segunda, 12/03/2018
O académico Malte Kaeding, da Universidade de Surrey, em Inglaterra, que acompanha as questões políticas em Macau e Hong Kong, diz estar "chocado" com o caso Rota das Letras.

Três escritores foram retirados do programa do Festival Literário Rota das Letras por não terem entrada garantida em Macau.

O académico alemão, radicado no Reino Unido, deslocou-se a Hong Kong para acompanhar as eleições intercalares para o Conselho Legislativo realizadas no domingo.

Em declarações à TDM, Malte Kaeding, diz que o facto de as proibições de entrada afectarem agora pessoas da área cultural “é preocupante”.

“Sim, porque no passado, vimos que Macau era sempre muito mais cuidadoso, e muito mais restritivo em deixar os radicais ou democratas activistas entrar no território, o que em si já é bastante problemático. Mas, agora estender isto ao sector cultural, penso que é um novo nível, e penso que é algo que temos de monitorizar com muito cuidado”, afirmou Malte Kaeding.

“Portanto, estou muito decepcionado com os últimos desenvolvimentos. É a forma mais moderada de descrever tudo isto”, observou.

A imprensa em Macau escreve hoje que foi o Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau que disse que a vinda dos autores era “inoportuna” e que a sua entrada não estava garantida. No fim-de-semana, o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, referiu-se ao caso como um “rumor” do qual desconhece a origem.

O académico diz que, visto de fora, o caso Rota das Letras parece indicar que “há um novo nível de interferência, desencorajando as pessoas de participarem e desencorajando as vozes críticas, o que no sector cultural é mesmo muito importante”.

Para Malte Kaeding o grande problema é a “falta de transparência”.

“Podemos ver que a linha vermelha também está sempre a mudar”, aponta o investigador alemão radicado no Reino Unido.

“Não sabemos o que vai acontecer no futuro, porque parece que não há orientações claras. Penso que um dos grandes problemas é a falta de transparência. Não sabemos porque é que as pessoas são impedidas de entrar nos territórios”, acrescentou.

O Rota das Letras começou no sábado e decorre até dia 25, no Edifício do Antigo Tribunal.

Mesmo sem a presença dos autores, os livros de James Church, Jung Chang e Suki Kim estão à venda e longe de serem proibidos no certame.

Fátima Valente