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Faltam recursos humanos, diz Associação dos Farmacêuticos
Domingo, 11/03/2012

O presidente da Associação dos Farmacêuticos de Macau (AFM), Kenny Kuok, alerta para a falta de recursos humanos no sector e defende uma maior aposta na formação profissional. Já o farmacêutico Carlos Santos fala numa degradação do sector, na RAEM, e alega a existência de um conflito de interesses no facto de os médicos de clínicas privadas fornecerem medicamentos directamente aos doentes.

 

“O sector das farmácias comunitárias cresceu muito rapidamente nos últimos cinco anos. Portanto o número de farmacêuticos e técnicos de farmácias é escasso”, afirma o presidente da AFM, em declarações ao magazine de informação da Rádio Macau, Paralelo 22.

 

Mas o também professor do Instituto Politécnico de Macau lembra que a falta de mão-de-obra faz-se sentir igualmente no pessoal não especializado. “Para as posições de vendas e assistência não técnica também há escassez de recursos humanos. Muitos proprietários de farmácias estão a queixar-se desta situação, é-lhes muito difícil contratar pessoas para realizarem este tipo de tarefas diárias, como a gestão do stock e a venda de produtos não medicinais. Isto resulta num aumento da carga de trabalho para os profissionais de farmácia, que têm menos tempo para prestar o serviço ao paciente”, explicou.

 

Já Carlos Santos, dono da farmácia Lótus, considera que o sector está reduzido a um sistema quase “virtual”. “Há uma degradação qualitativa tanto das infra-estruturas como do profissional, porque deixou de ter atenção. O cliente entra dentro dessa farmácia e fica frustrado porque não tem uma assistência farmacêutica como deveria ter”, comentou, em declarações ao Paralelo 22.

 

O farmacêutico alerta ainda para um conflito de interesses nas clínicas privadas, onde, em muitos casos, os médicos também dispensam directamente os medicamentos aos pacientes. Uma prática que, diz, deixa o utente mal informado sobre o que está a tomar e prejudica o negócio das farmácias.

 

“As farmácias entram numa situação em que não têm alternativas comerciais para manterem a qualidade pretendida que o Governo hipoteticamente exigiria que elas tivessem. Ou seja, as farmácias estão completamente desprotegidas em termos administrativos, em termos comerciais, em termos de política de medicamento. Estão completamente desprotegidas em detrimento dessas clínicas e dos próprios hospitais, e não lhes resta absolutamente nada”, lamenta Carlos Santos.

 

A reportagem “Remédio santo”, que transmitimos este domingo ao meio-dia, no Paralelo 22, pode ser ouvida aqui, na nossa página da internet, ou terça-feira, às 10h30.