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Estudo: Patuá entre as línguas de contacto mais ameaçadas
Domingo, 18/02/2018
O patuá de Macau é uma das três línguas de contacto mais ameaçadas de um conjunto de 96 analisadas num estudo elaborado por uma académica da Universidade Nacional de Singapura.

A investigação agora dada à estampa numa publicação da University of Hawaii Press,“Language Documentation & Conservation”, traça um futuro negro para estas línguas nascidas da língua comercial usada por navegadores e exploradores nos séculos 15 e 16, e formadas a partir de sons e da gramática de diferentes línguas nativas.

De acordo com a investigadora Nala H. Lee, o estudo representa “uma actualização da vitalidade ou nível de risco das línguas de contacto em todo o mundo”.

A avaliação foi feita com recurso ao Índice de Risco de Linguagem, que mede as ameaças com base em quatro critérios: transmissão intergeracional, número absoluto de falantes, tendências do número de falantes e domínios de uso.

A académica destaca que este índice, em comparação com outras formas de medição, incluindo da UNESCO, distingue-se pela capacidade de proporcionar um “nível de certeza” em conjunto com uma avaliação global indicando o risco de ameaça.

Em três dos quatro indicadores, o patuá macaense alcança o nível de máximo risco.

É o caso da transmissão intergeracional, que avalia se a língua está a ser passada a gerações mais novas.

O patuá macaense é uma das quatro línguas de contacto que recebe o nível 5, consideradas “criticamente em perigo”.

Em comparação, outro crioulo asiático de base portuguesa, o “papiá kristang” de Malaca, na Malásia, está no nível 3, ou seja, “em perigo”.

Quanto ao número absoluto de falantes, com cerca de 50, o patuá de Macau está no nível 4 de risco, sendo considerado “severamente em perigo”. Em pior situação está outro crioulo português, o do Sri Lanka, com apenas quatro falantes.

Em toda a Ásia, o crioulo de base portuguesa com melhores perspectivas de transmissão é o de Malaca, que conta com cerca de 2.150 falantes.

Já na tendência do número de falantes, o patuá macaense está no nível máximo de risco, o que indica que “a língua é falada por um número reduzido de pessoas e esse número está a diminuir rapidamente”. Comparativamente, o crioulo português de Malaca está um nível abaixo, sendo considerado “severamente em perigo”.

Finalmente, o patuá macaense está também no nível máximo de risco em termos da escala de domínios de uso, que traduz uma realidade em que “a língua é usada em muito poucos domínios específicos”, como “cerimónias, canções, orações ou actividades familiares”.

No nível global de risco, o patuá macaense é uma das três línguas de contacto em 96 analisadas que tem o estatuto de “criticamente ameaçada” com um nível de certeza de 100 por cento.

As restantes duas línguas nesta situação são o Baba Malay, de Malaca, falada por 2.000 pessoas, e ainda o pidgin Yimas-Arafundi, da Papua-Nova Guiné, com apenas cinco falantes.

O estudo conclui que, das 96 línguas de contacto analisadas, 82 estão em risco.

A investigadora Nala H. Lee alerta que “as línguas de contacto costuma ser negligenciadas na investigação das ameaças à linguagem”, porque se considera, “de forma duvidosa”, que “não apresentam características linguísticas únicas”.

Foi em 2009 que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla inglesa) classificou o patuá de Macau como uma língua “criticamente ameaçada”, depois de se ter estimado, por volta do ano 2000, que a população total de falantes era de apenas 50.

Hugo Pinto