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Jung Chang, autora de “Cisnes Selvagens”, no Rota das Letras
Segunda, 12/02/2018
A escritora chinesa Jung Chang, autora de “Cisnes Selvagens”, vai estar no Festival Literário de Macau Rota das Letras, foi hoje revelado pela organização.

Para a sétima edição do evento, que decorre entre 10 e 25 de Março, foram convidados mais de 60 nomes – alguns dos quais dados a conhecer anteriormente –, entre escritores, tradutores, músicos, realizadores e artistas plásticos.

De todos, o nome maior é o da escritora que, em 1991, publicou aquele que é considerado o livro mais lido sobre a China, “Cisnes Selvagens”, onde, recorrendo às memórias pessoais e familiares, conta uma boa parte da história do século XX chinês através dos olhos de três mulheres: a avó, a mãe e a própria autora.

Traduzido para dezenas de idiomas e com vendas acima dos 13 milhões de exemplares, “Cisnes Selvagens” é descrito pelo director do festival, Ricardo Pinto, como uma das mais célebres apresentações da China ao mundo: “Na minha geração, eram os romances da Pearl S. Buck, hoje em dia talvez “Os Cisnes Selvagens” seja, de facto, essa porta de entrada na literatura chinesa e, sobretudo na história recente da China. É uma autora com uma dimensão enorme, popularíssima”.

Além de “Cisnes Selvagens”, Jung Chang é ainda autora, em conjunto com o marido, Jon Halliday, de “Mao: a História Desconhecida”, e, mais recentemente, de “A Imperatriz Viúva – Cixi, a Concubina que mudou a China”.

Outro nome destacado a participar no Rota das Letras deste ano é Li-Young Lee, poeta americano nascido na Indonésia de origem chinesa, que tem a particularidade de ser neto de Yuan Shikai, o sucessor do primeiro presidente da China republicana, Sun Yat-sen, e que haveria de trair a revolução e auto-proclamar-se imperador.

Outro autor convidado com laços familiares com a história, neste caso de Macau, é Marco Lobo, explicou Ricardo Pinto: “É neto de Pedro José Lobo, filho de Roger Lobo, professor da Universidade de Tóquio, licenciado em Economia, mas um apaixonado pela história de Macau.

Escreveu um romance chamado “Mesquita’s Reflection”, sendo que se trata de Vicente Nicolau Mesquita, o homem que tomou o Forte de Passaleão após o assassinato do [governador]Ferreira do Amaral. É um dos episódios mais controversos, mais contenciosos da história recente de Macau, um episódio que obviamente divide muitas pessoas, mas é importante falar sobre estas questões”.

Durante o Festival Literário de Macau vão ser apresentadas as traduções para português e chinês do livro “Mesquita’s Reflection”.

Outro nome agora dado a conhecer para o Rota das Letras de 2018 é o filipino Miguel Syjuco, que ficou célebre por um romance que também tem forte ressonância histórica, “Ilustrado”, e que, em 2010, valeu o Man Asian Literary Prize.

No contingente lusófono, regressa a Macau e ao Rota das Letras Rui Cardoso Martins, e estreiam-se a crítica literária Isabel Lucas, a historiadora Isabel Valadão, a poetisa e académica Helena Carvalho Buescu, a poetisa cabo-verdiana Dina Salústio, o são tomense Albertino Bragança e ainda o angolano Kalaf Epalanga,ex-membro da banda Buraka Som Sistema e autor de três romances.

De Macau, participam no Rota das Letras a poetisa Jenny Lao-Phillips, o escritor de literatura infanto-juvenil Paul Pang e os poetas Rui Rocha e Fernando Sales Lopes.

O Festival Literário de Macau conta ainda com dois concertos: no sábado, dia 10 de Março, JP Simões-Bloom e a DJ Selecta Alice sobem ao palco da discoteca Pacha.
Depois, no dia 18 de Março, no Teatro Dom Pedro V, actua o cantor folk de Shenyang, Zhou Yunpeng.

Para a sétima edição, o Festival Literário de Macau contou com um orçamento de três milhões de patacas, praticamente o mesmo valor do anterior evento, segundo a organização.

Hugo Pinto