Em destaque

14 de Fevereiro 2019: às 12h30, o BNU negociava 1 euro por 9.1522 patacas e 1.1278 dólares norte-americanos.

Coloane: Novo Macau reclama vitória e pede responsabilização
Sexta, 09/02/2018
A Associação Novo Macau considera que a investigação do Comissariado Contra a Corrupção ao terreno do Alto de Coloane é uma vitória, mas defende que o mais importante é a preservação de Coloane e sobre este aspecto lamenta que não haja ainda garantias, disse à TDM – Rádio Macau o ex-presidente da organização, Scott Chiang.

Foi uma queixa da organização, apresentada em 2016, quando Chiang era presidente, que deu origem ao relatório divulgado esta semana, no qual são denunciadas várias irregularidades.

Apesar das reticências quanto a eventuais responsabilizações e da falta de uma garantia inequívoca sobre a proibição de construções em altura em Coloane, Scott Chiang destaca o passo importante do reconhecimento das suspeitas iniciais: “É muito raro, em Macau, levantar-se uma suspeita e haver uma investigação, ser vindicado. Mas o problema é que o relatório foi divulgado e não sabemos o que vai acontecer. Há falhas graves no processo de propriedade do terreno, que devia ser público. Vai alguém ser responsabilizado pelo que houve de errado? Ainda estão vivos? Não tenho a certeza de que se irá ao fundo deste caso. E isso é tão importante como proteger Coloane”.

Scott Chiang disse ainda que não ficou surpreendido com as principais descobertas da investigação: que o terreno não se situa no Alto de Coloane e que, em vez de ter cerca de 60 mil metros quadrados, deveria ter apenas algumas centenas: “Sempre suspeitámos que havia alguma coisa errada com a propriedade. Supostamente o terreno era privado. Mas nesse caso, como é que havia lá um edifício histórico? Era uma indicação de que, nalgum período do século passado, o terreno era público. Depois, de aguma maneira, a propriedade do terreno foi alterada debaixo da mesa. Foi essa a suspeição, mas, como é claro, não tínhamos os recursos ou o poder de provar isso, de facto”.

Foi em Março de 2016 que a Novo Macau apresentou uma queixa ao Comissariado Contra a Corrupção, alegando ter detectado indícios de irregularidades no processo administrativo do projecto residencial para o Alto de Coloane.

As suspeitas recaíam, sobretudo, na eliminação, em 2012, das restrições à altura das construções que, naquela zona, podiam apenas ir até aos 11,6 metros, muito aquém da altura das torres residenciais que o empresário Sio Tak Hong pretendia construir num terreno onde existe ainda uma casamata, um abrigo militar de construção portuguesa: 100 metros.

Hugo Pinto