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Economista defende limites de compra para quem já tem casa
Quinta, 01/02/2018
Albano Martins defende que o controlo do mercado imobiliário passa por impedir que quem tenha habitação possa voltar ao mercado. É a reacção do economista à intenção do Governo de criar um imposto de selo adicional sobre a aquisição de mais do que um imóvel para a habitação. O imposto será de cinco por cento para a segunda casa e 10 por cento para a terceira casa.

Albano Martins lembra que 95 por cento dos compradores são residentes, mas as aquisições, diz, estão nas mãos de “meia dúzia de pessoas”.

“A situação é de tal modo grave, e quando eu digo grave, digo-o com conhecimento de causa, porque se nós compararmos os preços da habitação de 2003 a 2017 Outubro – e eu ainda não fiz contas para Dezembro – os preços são 18,94 vezes superiores ou seja, 1900 por cento de ganho. Isto é completamente absurdo”, afirma.

O economista defende outro caminho: “se queremos estancar, de facto, esta bolha, temos que impedir que quem já tem habitação própria não entre mais no mercado. E portanto, nós ficamos apenas com aquelas pessoas que já têm muita habitação própria”.

Albano Martins diz que “alguns deputados terão muita habitação e eles vão ter, de certo modo, não exercer o seu direito à palavra e portanto dizer que têm conflitos de interesses quando for o acto de votação”.

Para o crescimento do mercado de arrendamento Albano Martins defende outras medidas: “a melhor maneira de fazer é o Governo dizer ‘você comprou uma casa hoje, se vender no prazo de um ano você perde toda a sua mais-valia - 100 por cento. No segundo ano 80 por cento, no terceiro ano perde 60 por cento, no quarto ano perde 40, no quinto ano perde 20 e no sexto ano você pode vender, porque tudo o que ganhou é seu. Em cinco anos, todas essas habitações tinham de ser colocadas no mercado, porque estavam devolutas, tinham de ser colocadas no mercado de arrendamento. E isto faria amortecer o crescimento do mercado de arrendamento”.

O economista diz que em um território tão pequeno, onde não há espaço, não há razão para transformar a cidade “numa bolsa de imobiliário”. O Governo, diz, devia fomentar o mercado primário.

Marta Melo