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Residentes privilegiam salário na hora de pensar no emprego
Quinta, 08/03/2012

O salário é o factor a que os trabalhadores de Macau dão mais importância: 42 por cento dos empregados do território elegem as remunerações como a principal razão para estarem nos cargos que ocupam. Esta é a grande conclusão do mais recente estudo sobre a qualidade de vida da revista Macau Business, levado a cabo pela Universidade de São José (USJ).

 

Porque o grau de compromisso com o trabalho não é forte, os recursos humanos em Macau tendem a mudar de posto com frequência. Os efeitos, alerta Richard Whitfield, responsável pelo inquérito, não são os melhores. “Especialmente num mercado como Macau, onde existe uma taxa de desemprego tão baixa e onde é fácil às pessoas encontrarem novos empregos, este enfoque nos salários é uma fraqueza, na medida em que leva a uma inflação salarial”, avisa. “Vemos que, nos últimos anos, os salários subiram bastante, e isto não é sustentável a longo prazo”, conclui.

 

As empresas devem encontrar formas de fixar os trabalhadores, sugere o académico, que passam pela melhoria do ambiente de trabalho e a progressão na carreira. Não são só os trabalhadores que colocam a tónica nos salários. Os patrões fazem o mesmo, diz Whitfield. “Para quê darem bom ambiente de trabalho, para quê estarem a preocupar-se em fazerem corresponder as tarefas aos interesses dos trabalhadores? Pensam: ‘Posso pagar um bocadinho mais, arranjo outra pessoa’.”

 

A fraca relação entre patronato e recursos humanos traduz-se em mais despesas para as empresas, que se vêem assim obrigadas a investir em recrutamento e formação, explica Richard Whitfield. Menor produtividade é outra consequência, por falta de memória empresarial. 

 

Feito através de entrevistas ao telefone a mais de mil inquiridos, o estudo conclui ainda que, de um modo geral, a população está mais satisfeita com a vida que tem do que no final do terceiro trimestre do ano passado. Entre os dados a registar encontra-se também a confiança dos residentes no futuro de Macau, que permite a Whitfield concluir que a crise económica é um fenómeno que passa ao lado do território.