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Rui Leão: preservar só monumentos é "visão infantilista"
Sábado, 27/01/2018
O arquitecto Rui Leão defende que preservar só monumentos constitui “uma visão infantilista do património”. O alerta foi deixado no Rádio Macau Entrevista deste sábado, onde o membro do Conselho do Planeamento Urbanístico sublinha que é preciso também cuidar dos espaços em torno dos monumentos classificados.

Numa altura em que está em consulta pública a proposta do Governo para o futuro plano de gestão e salvaguarda do centro histórico de Macau, Rui Leão considera que “a quantidade de construção em altura, com dez pisos, com 20 pisos” nesta zona da cidade é “muito perturbante”, “não só pelo impacto visual, mas pela destruição da escala de utilização”.

Na entrevista à TDM – Rádio Macau, o arquitecto entende que “foi uma oportunidade perdida não se criarem projectos-piloto, que se fossem experimentando, por exemplo, à volta de cada edifício classificado, cada monumento”. “Nunca se teve grandes preocupações de regular o entorno”, explica Rui Leão.

O arquitecto lembra que “os edifícios são qualificados pelo seu valor em si – é uma questão de princípio –, mas também, depois, pela sua utilização”. Por isso, lamenta que, por vezes, as pessoas que visitam esses edifícios ou que passam por eles se deparem com um monumento onde “se calhar, o Governo gastou muito dinheiro e arranjou, está pintadinho e com bom aspecto, mas está completamente cheio de lixo à volta”.

No Rádio Macau Entrevista, Rui Leão fala também na “grande saudade” que têm “as pessoas que conhecem Macau há muito tempo, e antes da passagem da soberania”. “A saudade que nós temos não é de Macau ser uma aldeia. É da qualidade de vida que tínhamos e que tinha a ver com a acessibilidade, com a possibilidade que tínhamos de usar o espaço público, que era nosso. A praça do Leal Senado era minha, assim como o Jardim de Lou Lim Ioc era meu”, comenta o arquitecto.

A questão das acessibilidades é apontada pelo especialista como o principal problema de Macau, defendendo mexidas na circulação na Avenida Almeida Ribeiro.

Nesta entrevista, Rui Leão elogia o trabalho de Raimundo do Rosário à frente do sector dos transportes e obras públicas e revela também pormenores de uma exposição que em Março vai assinalar a obra do arquitecto José Maneiras.

O arquitecto comenta ainda, no Rádio Macau Entrevista, o trabalho de Agnes Lam na Assembleia Legislativa – Rui Leão integrou a lista da actual deputada em 2013, quando Agnes Lam não garantiu a eleição – e aborda o caso Sulu Sou.

O programa Rádio Macau Entrevista é transmitido este sábado, ao meio-dia, com repetição na segunda-feira, às 10h30.

Gilberto Lopes (com Sofia Jesus)