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Morreu António Marques Baptista
Sábado, 20/01/2018
António Marques Baptista, o último director da Polícia Judiciária de Macau sob administração portuguesa, faleceu esta sexta-feira vítima de acidente vascular cerebral, disse à Lusa fonte da família, sem adiantar pormenores.

Nascido em Portalegre em 1952, licenciado em Direito, António Marques Baptista desempenhou as funções de director da Polícia Judiciária de Macau entre Janeiro de 1996 e Dezembro de 1999, um período marcado pela “guerra das seitas”.

Chegado a Macau em Março de 1992, no território foi também delegado do Procurador da República junto da terceira secção do Tribunal de Competência Genérica.

Em Macau, Marques Baptista integrou ainda o corpo docente da Escola da Polícia Judiciária, dando aulas de Direito Processual Penal.

Desde 1994 até à data da tomada de posse como director da Polícia Judiciária, 15 de Janeiro de 1996, foi membro do Conselho Superior de Advocacia.

Para a história dos últimos anos da administração portuguesa de Macau ficaram as imagens de António Marques Baptista, em 1998, a sair do Hotel Lisboa com um algemado Wan Kuok-koi, também conhecido pela alcunha “Dente Partido”, considerado o líder da seita 14K, detido numa mediática operação como nunca se tinha visto no território.

Wan Kuok-koi tinha sido apontado como o grande responsável por ter iniciado a chamada “guerra das seitas” que haveria de matar dezenas de pessoas, numa altura de incertezas e receios causados pela transição, e em que as diferentes facções do crime organizado de Macau estavam em conflito aberto nas ruas do território.

Sucediam-se ataques que as autoridades portuguesas se esforçavam por classificar de cirúrgicos, alegando que apenas diziam respeito aos membros do crime organizado, não representando, por isso, uma ameaça à segurança da população em geral.

Em Maio de 1998, uma bomba destruiu o automóvel de António Marques Baptista. Depois deste atentado falhado contra o director da Polícia Judiciária,
Wan Kuok-koi seria detido, julgado e condenado, em 1999, a 15 anos de prisão por associação criminosa.

António Marques Baptista regressaria a Portugal pouco tempo depois, tendo continuado ligado à Polícia Judiciária. Terá também tido uma missão em Paris, integrado na Interpol, mas sempre longe da atenção mediática.

Hugo Pinto