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Ana Paula Laborinho: IPOR vai sentir efeitos da crise
Quarta, 07/03/2012

Os momentos difíceis em Portugal vão reflectir-se também no Instituto Português do Oriente (IPOR), segundo admitiu à Rádio Macau a presidente do Instituto Camões (IC). Ana Paula Laborinho garantiu, no entanto, que a aposta em Macau é para manter e o objectivo passa agora pela procura de novas parcerias.

 

“Ficámos muito agradados, por um lado, pelo bom desempenho que houve em relação ao centro de língua portuguesa, ao número de alunos, às receitas. Naturalmente não vou esconder que estamos num momento particularmente difícil em Portugal e que essa diminuição dos nossos meios também se irá reflectir na contribuição associativa do Instituto Camões para o IPOR. Mas estamos a procurar fazê-lo sem que isso ponha em causa os projectos maiores e sem impedimento de um outro aspecto que cada vez é mais relevante e que é o mecenato e a capacidade de uma intervenção maior de empresas e outros parceiros nestes projectos”, afirmou Ana Paula Laborinho.

 

A presidente do IC - que através do Estado português detém 55 por cento das acções do IPOR – sublinha que esta conjuntura não se vai traduzir necessariamente num orçamento mais reduzido e lembra que a contribuição do IC para o IPOR é a maior para os centros culturais portugueses que o instituto tem espalhados pelo mundo. "Isso quer dizer que a nossa aposta em Macau é uma aposta que se mantém e que nós queremos, até, que possa ser consolidada. O que temos é de encontrar outras parcerias, temos de encontrar formas de também fazer participar empresas portuguesas”, frisou.

 

Ana Paula Laborinho não avança o valor do orçamento do IPOR para 2012 mas sublinha que ainda é um número redondo e significativo, até porque o valor de receitas do IPOR continua a aumentar. “Tivemos este ano - há uma previsão - de cerca de 600 mil euros de receitas, o que é muito significativo. [...] Mas isso não impede que tenhamos também de continuar a ter uma participação activa no IPOR e é isso que iremos fazer”, adiantou.

 

Quanto à comparticipação do Estado português, Ana Paula Laborinho diz que o valor ultrapassa os 160 mil euros, ou seja, mais de um milhão e meio de patacas, só para a gestão do IPOR.

 

Na semana passada, o director do IPOR afirmou, em declarações ao Jornal Tribuna de Macau, que transita para este ano um lucro de 537 mil patacas. Um valor que, segundo Rui Rocha, permite que os associados contribuam com menos 15 por cento para o orçamento deste ano. Ainda de acordo com as declarações do director do IPOR ao JTM, no segundo semestre estão inscritos mais de dois mil alunos para aprender português.

 

Já no âmbito de actuação cultural, o Instituto Camões pretende um reforço de parcerias, sobretudo, com o Instituto Cultural de Macau. “O que nós desejamos é que essas parcerias possam alargar àquilo que são parceiros naturais - para além das universidades, do Politécnico -, que possam também alargar-se a outras instituições. E falo claramente do Instituto Cultural da RAEM, com o qual queremos desenvolver parcerias, não só em Macau, mas também em Portugal”, afirmou Ana Paula Laborinho, dando como exemplo a exposição do arquitecto Carlos Marreiro, que está prevista para este ano no Instituto Camões, numa parceria com o Instituto Cultural.

 

Recorde-se que, há alguns meses, o Instituto Camões e o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento foram fundidos, dando origem ao “Camões – Instituto da Cooperação e da Língua”.