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Autocarros: secretário desvaloriza subida das tarifas
Terça, 09/01/2018
O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, defendeu esta tarde que a proposta de aumento das tarifas de autocarros tem um impacto mínimo no bolso dos residentes. A actualização esteve a ser debatida na Assembleia Legislativa, com o governante a defender que a população local tem capacidade para pagar mais pelas carreiras.

A proposta de debate foi apresentada pela deputada da Federação das Associações dos Operários de Macau, Ella Lei, que teve o apoio da maioria parlamentar. Para os deputados, a proposta do Governo vai ter um impacto negativo no orçamento das famílias de baixos rendimentos e que dependem da rede pública de autocarros para deixar as crianças nas escolas e garantir o transporte dos idosos.

O argumento foi desvalorizado por Raimundo do Rosário. O secretário frisou que os valores propostos pelo Governo são mínimos: “A maioria das pessoas usa o cartão “Macau Pass”. Ou seja, em Macau, paga mais uma pataca. Taipa, 50 avos e para Coloane continua a ser três patacas. Quem não têm Macau Pass é que vai ter de pagar 6,6 patacas. 90 por cento das pessoas têm este cartão”.

Ainda assim, o secretário reconheceu que o aumento das tarifas não é uma medida popular. Raimundo do Rosário alegou antes questões de princípio uma vez que as concessionárias têm sempre garantido um encaixe de lucros superior a 100 milhões de patacas. “As empresas de autocarro não se preocupam: se não conseguirem obter a totalidade do dinheiro das tarifas, o Governo subsidia a diferença. De qualquer maneira, as empresas concessionárias recebem de certeza 110 milhões de patacas – 72 por cento é suportada pelo Governo e 28 por cento é dinheiro que vem das tarifas. As empresas recebem ou de um lado ou do outro. Recebem de certeza”, apontou o secretário.

A proposta do Governo avança também com tarifas mais caras para não-residentes e estudantes de fora de Macau.
Raimundo do Rosário justificou a diferença com as queixas de residentes que dizem não conseguir apanhar algumas das carreiras, por serem também muito procuradas por não residentes.

Os deputados pediram ao secretário para apresentar os estudos que sustentam a proposta do Governo. Raimundo do Rosário respondeu que “não é preciso ser muito científico para saber” que “um aumento de duas para três patacas, em dez anos, não é muito”. “Posso ser honesto e dizer que não fiz qualquer estudo. Há dez anos que o valor não é alterado. Se aumentarmos agora um bocado, não vai afectar em nada”, disse.

O Governo propõe ainda que os idosos passem a pagar uma pataca e meia ou duas patacas, nas horas de ponta.
Os deputados defendem que todos os horários devem ser gratuitos.

O director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, Lam Hin San, disse que há um grande volume de passeiros para gerir: “A procura era de 320 mil pessoas e passou a 580 mil. Temos também de ter conta o percurso feito em média. Era de cinco a seis quilómetros; hoje, 10 quilómetros é o percurso mínimo que cada um dos passageiros faz. É uma alta pressão para os serviços de autocarros”.

Lam Hin San indicou ainda que a média dos salários dos motoristas está em 28 mil patacas e que os ordenados representam agora 60 por cento dos custos das empresas.
A maioria dos deputados defendeu que e o aumento das despesas deve ser assumido pelas empresas que, além das tarifas, têm também receitas publicitárias.


Sónia Nunes