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81 suicídios em Macau em 2011 - 30 por menores de 34 anos
Domingo, 04/03/2012

Oitenta e uma pessoas colocaram fim à própria vida, em Macau, no ano passado. É a mais alta taxa de suicídio dos últimos três anos, pelo menos, no território, depois de em 2010 se terem registado 61 casos e, em 2009, 71. Os números foram revelados ao magazine de informação da Rádio Macau, Paralelo 22, pelo Gabinete Coordenador de Segurança.

 

De acordo com as estatísticas oficiais, das mais de oito dezenas de pessoas que se suicidaram no ano passado, 13 eram jovens entre os 15 e os 24 anos, enquanto outras 17 tinham idades entre os 25 e os 34. Dos 81 casos, a maioria – 66 – envolveu pessoas de Macau. A maior parte dos suicídios – 57 – foram cometidos por mulheres.

 

Quanto aos motivos que conduziram ao suicídio, a maior fatia dos casos registados no ano passado teve a doença como principal razão – 11 casos de doença mental, sete de depressão, 26 de outro tipo de patologias. Já os problemas financeiros levaram 12 pessoas a matarem-se, enquanto o jogo acabou com a vida de outras oito.

 

No ano passado, a linha telefónica de aconselhamento para a prevenção do suicídio -  “Esperança de Vida” -, gerida pela Cáritas e subsidiada pelo Instituto de Acção Social (IAS), recebeu mais de oito mil chamadas. Estima-se que 1,5 por cento dos que ligaram o "28 52 52 22" planeavam suicidar-se. Menos de meio por cento já o tinha mesmo tentado fazer.

 

Para o secretário-geral da Cáritas, os números são preocupantes. “Pensando apenas nos residentes de Macau, o número não é alto. Mas no conjunto é alto, são mais de 13 pessoas a suicidarem-se por cada cem mil habitantes. Neste caso é uma taxa elevada. Por isso temos de prestar atenção ao fenómeno, apostar na prevenção do suicídio, agora e no futuro. Precisamos de reduzir o número de suicídios. Como? Através de linhas telefónicas de aconselhamento e de visitas a pessoas que já tentaram suicidar-se”, afirma Paul Pun, que acrescenta que a linha precisa de 200 voluntários para dar resposta às necessidades de Macau, em vez dos actuais 80.

 

Já Joyce Lam, coordenadora do Gabinete de Acção Familiar do IAS, considera que Macau ainda não está numa situação grave, mas avisa que o número de suicídios registados pode ser apenas a ponta do iceberg. “Embora Macau seja considerada uma cidade com baixa taxa de suicídio, o número de casos e de tentativa de suicídio pode apenas reflectir os casos descobertos e publicados. Portanto, acreditamos que o número de casos de tentativa de suicídio não notificados pode ser superior ao número conhecido”, afirmou ao Paralelo 22, admitindo ainda a dificuldade do Governo em contratar profissionais da área da psicologia.

 

Também em declarações ao magazine de informação da Rádio Macau, Gertina van Schalkwyk, que chefia o departamento de psicologia da Universidade de Macau, alerta para a insuficiência de serviços de apoio especializado. “Não temos serviços disponíveis suficientes nem peritagem suficiente nesses serviços. Quero dizer, há linhas de ajuda – ainda recentemente li um artigo sobre a abertura de uma linha de apoio para prevenir o suicídio no hospital Kiang Wu, mas que peritos há nesses serviços? E será que temos uma cultura que diz que, se eu tiver um problema psicológico, seja qual for, devo pedir ajuda?”, comenta a académica.

 

“Vidas sem rede” é uma reportagem que transmitimos hoje ao meio-dia, no programa Paralelo 22. Um programa que pode ouvir também aqui, na nossa página da internet, ou na próxima terça-feira, às 10h30, na 98 FM.