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IAS preocupado com consumo de ‘ice’ em Macau
Sexta, 10/11/2017

O Governo diz que o consumo de ‘ice’, sobretudo entre os jovens, está a aumentar. Mas as estatísticas oficiais são contraditórias. A Comissão de Luta contra a Droga esteve hoje reunida em sessão plenária para apresentar os dados mais recentes do Sistema de Registo Central de Toxicodependentes de Macau, com o Instituto de Acção Social a admitir que os números não reflectem a realidade.

 

Ainda assim, Hoi Va Pou, chefe do Departamento de Prevenção e Tratamento da Dependência do Jogo e da Droga, diz que o IAS consegue “chegar à conclusão de que houve um aumento do consumo de ‘ice’ e de que é a droga mais consumida em Macau nos últimos tempos”.

 

A base desta afirmação são os dados do Sistema de Registo Central dos Toxicodependentes de Macau que confirmam a conclusão do IAS. Em parte. Em termos gerais, o consumo de ‘ice’ baixou entre o primeiro semestre de 2016 e os primeiros seis meses deste ano – uma redução de cinco pontos percentuais, para 30,4 por cento.

 

Já entre os jovens, o ‘ice’  aumentou oito pontos percentuais, de 47,4 por cento para 55,6 por cento – uma tendência registada num universo de 17 pessoas, que fazem parte dos 311 toxicodependentes registados no IAS, de Janeiro até Setembro.

 

Hoi Va Pou reconhece que os dados não são representativos: “Não é um número que reflecte a população toxicodependente de Macau. São dados vindos de 18 entidades e que dizem respeito aos que estão registados no nosso sistema central”.

 

Em relação aos hábitos de consumo entre os jovens, o IAS faz estudos direccionados. O mais recente, de 2014 e que contou com a participação de mais de 200 jovens, revelou uma redução no consumo ‘ice’ para 18,7 por cento, comparando com 2010.

 

Hoi Va Pou garante, no entanto, nos últimos dois anos, que a tendência é de aumento, com base nos dados do Registo Central.

 

O último estudo de campo sobre a toxicodependência foi feito em 2003, por uma entidade de Hong Kong. A conclusão foi de que havia em Macau 3700 toxicodependentes e que, destes, 60 por cento consumia heroína.  Catorze anos depois, o IAS reconhece: “Também duvidados deste número. Duvidamos muito da forma que foi utilizada para chegar-se a este número de 3700”, diz Lei Lai Peng, chefe de divisão do Departamento de Prevenção e Tratamento da Dependência do Jogo e da Droga.

 

O IAS aponta ainda para o que chama “camuflagem do consumo de drogas”: 70 por cento dos toxicodependentes registados no instituto optam por consumir em casa ou em casa de amigos. No entanto, também de acordo com os dados do Registo Central, o consumo de droga em karaokes e discotecas aumentou 28 por cento no primeiro semestre, comparando com igual período do ano passado.

 

O Governo tem um grupo de trabalho para avaliar o impacto da nova lei da droga. A equipa esteve reunida em Setembro para fazer um ponto de situação sobre o mecanismo que permite aos toxicodependentes optarem pelo tratamento em vez da prisão.

 

Desde Dezembro de 2009 até Setembro deste ano, houve 842 pessoas condenadas com pena suspensa por consumo de droga, de acordo com o IAS.

 

Não há dados que permitam saber se há mais ou menos arguidos a optar pela desintoxicação. Esta era uma das questões que o Governo pretendia abordar com a última revisão à lei da droga, em vigor desde Janeiro. “Ainda não decorreu um ano. Temos de esperar algum tempo para recolher os dados sobre esta medida. No entanto, é de saliantar que já temos os equipamentos e as instalações preparados para o efeito”, assegura Hoi.

 

No processo de revisão da lei da droga, o Governo afirmou que os consumidores tendem a escolher a prisão em vez do tratamento. A informação foi desmentida pela Assembleia Legislativa: a comissão que discutiu na especialidade a proposta de lei concluiu, através de um estudo, que cerca de 90 por cento dos condenados preferem a desintoxicação à prisão efectiva.

 

Da reunião de hoje da Comissão de Luta contra a Droga, saiu ainda a informação de que os toxicodependentes gastam uma média de 10 mil patacas em droga por mês.

 

A despesa mensal com estupefacientes aumentou em termos anuais 36,4 por cento, no primeiro semestre deste ano.

 

Sónia Nunes