Em destaque

22 de Fevereiro 2019: às 12h30, o BNU negociava 1 euro por 9.20 patacas e 1.13 dólares norte-americanos.

“Paddington 2” abre Festival Internacional de Cinema
Sexta, 03/11/2017

O Festival Internacional de Cinema e Entrega de Prémios, que decorre entre 8 e 14 de Dezembro, vai abrir com a estreia local de “Paddington 2”, a adaptação para cinema do clássico da literatura infantil britânica. O programa foi apresentado hoje e confirma o objectivo da organização: chegar ao grande público.

 

Paddington, o urso de chapéu vermelho e casaco azul, é uma das estrelas do cinema com presença quase certa na passadeira vermelha a ser estendida no Museu de Macau, quando começar o festival. O anúncio é feito pelo britânico Mike Goodridge que, pela primeira vez, assume a direcção artistica de um festival de cinema.

 

O antigo jornalista que, em Londres, fez parte de uma produtora cinematográfica, reconhece que a saga do urso Paddington não é a escolha mais óbvia para filme de abertura. É antes “uma óptima maneira de começar esta celebração de filmes”. “Têm de ver. É simplesmente encantador. Procurámos um filme que agradasse a todos. Estes filmes são uma perfeição. O segundo ainda é melhor do que o primeiro. Embora não seja um tipo de filme para festival, é um filme muito bonito, perfeito para toda a família”, sublinha Goodridge.

 

Há mais de 40 filmes em cartaz, em diferentes secções: dez estão em competição. São filmes de novos realizadores que concorrem por um prémio de 60 mil dólares norte-americanos (480 mil patacas). Mike Goodridge destaca “Custody”, do francês Xavier Legrand, e “Foxtrot”, de Samuel Maoz, ambos com passagem pelo Festival Internacional de Cinema de Veneza.

 

Na secção “Panorama”, onde vão passar filmes premiados nos principais festivais de cinema do mundo, está “A Fábrica de Nada”, de Pedro Pinho. “É sem dúvida o melhor filme português do ano, estreou no Festival de Cannes. É soberbo”, avalia Goodridge, ao apontar para um programa “muito forte”, “sem ser demasiado artístico ou demasiado estrangeiro”.

 

“Digo isso, mas A Fabrica do Nada é um filme português de três horas. Escolhemos deliberadamente filmes que fazem pensar e que têm uma narrativa acessível. Se conseguisse ver um filme filipino de 4 horas, fá-lo-ia. Mas não quero infligir isso a toda a gente porque tenho a certeza de que nem todos gostam”, acrescenta Goodrigde, que garante ter total liberdade artística. O festival inclui ainda um programa de financiamento para projectos cinematográficos. A organização vai escolher 14 filmes para co-produção, que devem ser anunciados na próxima semana.

 

Um dos “embaixadores” do festival deste ano é o realizador de Hong Kong John Woo, que dá amanhã uma palestra no Instituto Politécnico de Macau. “Este conceito [de festival] consegue, directa ou indirectamente, impulsionar a importância dos filmes em língua chinesa no palco internacional”, salienta. 

 

Além dos filmes que se estrearam em 2017, com destaque para a estreia internacional de “The Last Recipe” de  Yôjirô Takita, há também clássicos. Na secção “Apresentação Especial”, será exibido o “Ultimo Imperador” de Bernardo Bertolucci, para assinalar os 30 anos do filme.  Destaque ainda para “The shape of water”, de Guillermo del Toro, que recebeu este ano o prémio máximo do festival de Veneza, o Leão d Ouro.

 

Guillermo del Toro foi um dos realizadores convidados a recomendar filmes para o festival de Macau.  

 

Sónia Nunes