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Três em cada quatro jornalistas sentem-se condicionados
Quarta, 27/09/2017

A maioria dos jornalistas da Associação de Imprensa em Português e Inglês (AIPIM) sente que o exercício da profissão é condicionado em Macau. A conclusão consta de um relatório sobre um inquérito ao estado da liberdade de imprensa, feito no ano passado e divulgado esta tarde.  

 

Apesar de quase 80 por cento dos entrevistados afirmarem que há liberdade de imprensa em Macau, “uma vasta maioria, mais de três quartos dos jornalistas, sente que, de algum modo, o desempenho da profissão é sujeito a um certo tipo de constrangimento”, pode ler-se no relatório de quase 40 páginas. Quais? Em concreto, não foi possível detectar no inquérito: sabe-se apenas que, para 20 por cento, os constrangimentos são de “natureza política”.

 

Os limites ao exercício da liberdade de imprensa têm sobretudo que ver com dificuldades no acesso às fontes, resume José Carlos Matias, presidente da AIPIM. “Os jornalistas expressaram que é muito importante que haja um melhor acesso às fontes de informação; que, da parte das instituições, haja uma cultura de transparência para que o serviço que é prestado e o papel social que o jornalista desempenha possa ter mais robustez e ser mais consequente”, observa.

 

O poder judicial é o que coloca mais entraves aos jornalistas, seguido do Governo. Mais de metade dos inquiridos (68 por cento, no caso das fontes judiciais; 59 por cento, em relação ao Executivo) classifica o acesso aos dois poderes como “difícil”.

 

Já no caso da Assembleia Legislativa apenas 34 por cento sentem grandes bloqueios de informação.

 

As razões para os obstáculos no acesso às fontes são “várias”, explica José Carlos Matias. “Há razões que nos parecem ser estruturais, que têm que ver com uma cultura burocrática (...) e de falta de transparência”, diz, ao dar ainda conta de “problemas linguísticos e culturais”.

 

No relatório refere-se ainda que tribunais, Governo e Assembleia Legislativa encaram os jornalistas como simples mensageiros: “(...) Os poderes não comunicam apenas com e para os jornalistas. Na verdade, comunicam com os cidadãos através dos jornalistas”.

 

“Aqui, ao nível dos órgãos de poder, há de facto essa ideia de olhar para o jornalista como veículo para uma mensagem que desejam transmitir. Não é único daqui e não feito de uma forma demasiado assertiva. Mas é uma mensagem que surge com alguma frequência e nós temos uma perspectiva que, obviamente não é essa.  

 

Este é o primeiro inquérito do género feito junto dos media em português e inglês. Para José Carlos Matias houve uma boa participação: responderam 44 jornalistas, num universo total de 77 pessoas.

 

Sónia Nunes