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PM 2.5 acima da recomendação da OMS em 100 dias de 2016
Quarta, 20/09/2017

Um estudo conduzido pela académica Ágata Dias, do Instituto para as Ciências e Ambiente da Universidade de São José, conclui que foram registadas concentrações de partículas PM 2.5 acima da recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), em “cerca de 100 dias” de 2016. No entanto, não foi o pior ano.

 

“Em 2014, tivemos cerca de 200 dias com valores médios diários acima dos 25 microgramas por metro cúbico (µg/m3), que é o valor recomendado pela OMS. Em 2016, tivemos cerca de 100 dias”, adianta Ágata Dias, à TDM – Rádio Macau.

 

A análise da académica, que teve como referência os dados da Estação da Taipa Grande, localizada no centro do território, prolongou-se entre 2013 e 2016. De acordo com os dados avançados, 2014 registou o valor pontual mais alto, de 214 µg/m3, em Janeiro. No ano passado, o recorde foi de 121 µg/m3, em Março.

 

“Nas partículas mais pequenas, que são as PM 2.5, por cada incremento de dez µg/m3 da concentração, há um aumento da mortalidade precoce em dez por cento. Portanto, se tivermos um aumento de 20 µg/m3, é de 20 por cento. Agora, é só imaginar o que pode acontecer a partir daí”, afirma Ágata Dias.

 

No caso dos níveis de ozono, o cenário é similar. “Por cada dez µg/m3, aumenta o risco de mortalidade precoce 0,5 por cento. Isto se estiver acima dos 70 µg/m3, que é o limite recomendado pela OMS”, acrescenta.

 

A académica, que faz questão de sublinhar que não é médica, baseia-se em estudos científicos da OMS. “Se estivermos sempre a respirar este ar não saudável, estamos a pôr em perigo a nossa saúde”, nota.

 

Para minimizar o impacto, Ágata Dias sugere a compra de um purificador de ar para casa. As actividades ao ar livre e desportivas devem ser evitadas, sobretudo pelos grupos de risco.

 

Os dados da professora do Instituto para as Ciências e Ambiente da Universidade de São José parecem contrariar as conclusões do Relatório do Estado do Ambiente relativo a 2016. No documento lia-se que mais de 95 por cento dos dias, no ano passado, registaram uma qualidade do ar “boa” ou “moderada”.

 

“O que está descrito no relatório é verdade”, diz Ágata Dias, que, no entanto, alerta para o facto de os níveis considerados pelos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) serem diferentes dos limites da OMS.

 

“O Governo de Macau também segue a OMS. Mas a OMS tem vários guias e limites. [...] No caso de locais em que a poluição é muito elevada, estabelece-se o limite de 75 µg/m3 [PM 2.5] e, à medida que vão melhorando, vão diminuindo esse limite”, indica.

 

“Se considerarmos os 75 µg/m3, que é o que é considerado pelos SMG, então tivemos zero [dias com níveis acima do recomendado pela OMS]. A maioria dos dias esteve boa. Mas, na realidade, e baseado em estudos científicos, tivemos 100 dias em que não tendo cuidado estamos a prejudicar a nossa saúde”, alerta Ágata Dias.

 

A académica recomenda que a população não se guie pelos índices de qualidade ar, mostrados através de rostos animados, no portal dos SMG. A informação mais correcta pode ser encontrada na mesma página, na secção das concentrações dos poluentes. Depois, os dados devem ser cruzados com os limites recomendados da OMS.

 

Pedro Galinha