Em destaque

18 de Abril de 2019: às 12h30, o BNU negociava 1 euro por 9,1616 patacas e 1,1296 dólares norte-americanos.

 

Irmãos Pereira Coutinho conhecem sentença a 17 de Outubro
Quarta, 20/09/2017

A leitura de sentença do caso que envolve os filhos do deputado José Pereira Coutinho está marcada para 17 de Outubro. A data foi avançada hoje pelo Tribunal Judicial de Base, que ouviu as alegações finais do Ministério Público e da defesa, num processo em que os arguidos estão acusados de um crime de tráfico de estupefacientes.

 

Mais de um mês depois do início do julgamento, que começou a 5 de Setembro, o Ministério Público concluiu que os factos da acusação contra Alexandre e Benjamim Pereira Coutinho ficaram provados em tribunal. Já a defesa alegou que ficaram muitas dúvidas por esclarecer.

 

As alegações finais começaram, como é hábito, com o MP. A acusação defendeu que as mensagens por telefone trocadas entre os arguidos são suficientes para concluir que foi cometido pelo menos um crime de tráfico de droga. A tese é que Benjamim mandaria vir encomendas de canábis do Canadá, através do serviço de entregas expressas DHL. Ao chegar a Macau, a droga seria dividida por vários distribuidores, através do irmão, Alexandre.

 

O próprio MP deu a mão à palmatória: a acusação admitiu desconhecer factos como o preço da droga e as quantidades supostamente vendidas.

 

A falta de provas foi, de resto, o principal argumento apresentado pela defesa, assegurada por Francisco Leitão. O advogado diz que, o tribunal ficou sem saber “quem comprou o quê, a quem, em que quantidades e a que preço”.

 

A maioria dos investigadores da Polícia Judiciária que foram testemunhar, criticou a defesa, limitaram-se a “debitar convicções” com base nos documentos do processo e nas mensagens de telefone. “Escrever palavras não é crime” de tráfico de estupefacientes, defendeu o advogado, ao insistir que a PJ teria de apresentar mais factos, como a quantidade de droga alegadamente traficada.

 

A defesa disse ainda que “das poucas certezas” que constam da acusação, há uma que é para ter “certeza de que é mentira”. Em causa a data de envio da ecomenda com canábis que resultou na prisão dos irmãos Coutinho, em alegado flagrante delito. 

 

A acusação diz que Benjamim enviou a encomenda a 2 de Dezembro de 2016. A defesa diz que, de acordo com os registos do correio, a encomenda foi entregue para ser despachada a 9 de Dezembro. Nesse dia, Benjamim não estava no Canadá: tinha chegado a Macau a 6 de Dezembro, para passar o Natal em família. 

 

Alexandre e Benjamim Pereira Coutinho foram detidos a 21 de Dezembro. Aguardam pelo desfecho do caso em prisão preventiva.

 

O caso envolve mais um arguido, Wong Sio Chong. Também é acusado de tráfico de droga, com a defesa a apontar várias falhas à investigação e a alegar que a canábis encontrada em casa do arguido era para consumo. 

 

Sónia Nunes