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Eilo Yu: Chui Sai On numa “situação difícil” com nomeados
Segunda, 18/09/2017

Os resultados das últimas eleições para a Assembleia Legislativa deixaram o Chefe do Executivo, Chui Sai On, numa “situação difícil”, diz Eilo Yu, académico do Departamento de Governação e Administração Pública da Universidade de Macau.

 

Com os 26 deputados eleitos (14 pelo sufrágio directo e 12 pelo indirecto) já escolhidos, Chui Sai On tem de nomear mais sete, para completar os 33 lugares da Assembleia Legislativa.   

 

A eleição do activista pró-democracia Sulu Sou e da académica Agnes Lam, e os mais de sete mil votos dados a Ron Lam (Lista 15), estreia nas eleições e ex-assessor de Kwan Tsui Hang, podem forçar o Chefe do Executivo a optar por jovens profissionais, contrariando a tendência dos últimos anos. Eilo Yu nota que o Chefe do Executivo tem optado por nomear empresários, empenhados em “contestar a oposição ou as forças anti-sistema”, mas que “raramente conseguem apresentar argumentos suficientes para apoiar as políticas do Governo”.

 

“Se o Governo continuar a vender as suas políticas desta forma, acredito que os deputados [agora eleitos] vão pedir mais dados. Portanto, os membros do Governo podem ficar num dilema. Se for este o caso, o Chefe do Executivo terá, na verdade, de nomear profissionais para defender o Governo com capacidade para fornecer informação e dados científicos”, reforça Eilo Yu.

 

O politólogo aponta para profissionais com um perfil equivalente a Agnes Lam e Ron Lam, ambos com formação política no campo tradicional pró-Pequim, mas com uma abertura moderada em relação à democratização do sistema.

 

Numa análise geral aos resultados eleitorais, Eilo Yu diz que houve uma migração de votos do campo empresarial para uma nova geração pró-Pequim, mais próxima de um eleitorado jovem e da classe média. 

 

Candidata pela terceira vez, Agnes Lam conseguiu ser eleita com 9.590 votos, quase o dobro dos conseguidos há quatro anos. O apoio da Associação da Juventude Chinesa de Macau, que há quatro anos apresentou uma candidatura, foi decisivo. “Se juntarmos os votos que Agnes Lam teve nas últimas eleições, com os da Tri-Decade, chegamos a cerca de sete mil votos. Por outro lado, não tivemos Paul Pun”, explica Eilo Yu.

 

O secretário-geral da Caritas não se candidatou este ano depois de, em 2013, ter conseguido 2.306 votos. Eilo Yu acredita que parte do eleitorado de Paul Pun votou agora em Agnes Lam.

 

Estas eleições ficam também marcadas pela saída de Melinda Chan da Assembleia Legislativa. A derrota não surpreende Eilo Yu: “Perdeu por uma margem mínima, mas já tinha sido eleita por uma margem mínima”.

 

Sónia Nunes