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Sonny Lo: eleições são as mais incertas dos últimos 17 anos
Sexta, 15/09/2017

As eleições para a Assembleia Legislativa do próximo Domingo prometem “os resultados mais incertos” desde a transferência de Administração, alerta o comentador político Sonny Lo. A crise provocada pelo tufão Hato, o eleitorado jovem e a existência de uma nova geração no campo pró-democracia podem influenciar o actual xadrez político – resta ainda saber se a capacidade de mobilização das listas tradicionais e regionalistas continua em força.

 

Há quatro anos, a lista de Chan Meng Kam com base eleitoral na comunidade de Fujian conseguiu o impensável: elegeu três deputados. Nestas eleições, sem Chan Meng Kam como candidato, mas presente nos cartazes e acções de campanha, a formação política tenta chegar ao quarto candidato ao dividir-se em duas listas. Vai resultar? “A minha especulação é que o grupo de Chan Meng Kam vai continuar a ter boas hipóteses de manter os três lugares. Já não tenho tanta certeza sobre se conseguem um quarto deputado, porque o sentimento do público ainda é incerto”, responde Sonny Lo.

 

Sem sondagens para medir intenções de voto, nem estudos de opinião que permitam avaliar a reacção do eleitorado à forma como a classe política reagiu ao desastre provocado pelo Hato, é difícil ter certezas. Sonny Lo diz que, apesar de o grupo de Chan Meng Kam ter estado na rua a prestar apoio às vítimas do tufão, nada garante que a percepção pública seja totalmente positiva.

 

Sonny Lo, que acompanha a vida política de Macau há mais de 20 anos, refere ainda que os circulos eleitorais de Macau são bastante complicados, o que, no caso da lista de Mak Soi Kun – a segunda mais votada em 2013 e com base eleitoral na comunidade de Guangdong – pode continuar a valer apenas dois lugares. “Têm uma boa hipótese de manter dois lugares, dado o trabalho constante junto da base por parte de Mak Soi Kun e do seu grupo ao longo dos últimos anos”, observa Lo.

 

Alguns analistas admitem que a incapacidade de resposta do Governo ao tufão Hato pode beneficiar o campo pró-democracia que há muito alerta para graves falhas nas infra-estruturas básicas de Macau. No entanto, esta é também uma altura em que o movimento pró-democracia está bastante dividido, com os líderes históricos da Associação Novo Macau a concorrerem, pela primeira vez, em listas fora da associação.

 

Sonny Lo diz que a geração mais velha poderá ser penalizada pelas críticas que Au Kam San fez à intervenção do Exército de Libertação Popular, durante o tufão. “Dado o facto de muitos residentes de Macau terem visto essa presença como uma ajuda para lidar com os efeitos do desastre causado pelo tufão Hato, Au Kam San pode ver as hipóteses prejudicadas. É incerto se conseguirá manter o lugar”, aponta.

 

Au Kam San acabou por retirar o comentário.

 

Já Scott Chiang, presidente demissionário da Novo Macau, defendeu a saída das tropas, desde o primeiro momento.

 

Para Sonny Lo, a nova geração do grupo pró-democracia conseguiu afirmar-se nos últimos anos e pode surpreender: “Dado o facto de, nestas eleições, haver muitos eleitores de Macau jovens, pode haver uma possibilidade realista de a nova geração de jovens democratas conseguir um ou dois deputados, substituindo ou desafiando a geração mais velha dos grupos pró-democracia”.

 

Nestas eleições, o campo tradicional pró-Pequim, aparece dividido em três listas – também na esperança de, assim, manter actual número de três deputados e tentar chegar ao quarto. Mais uma vez, a forma como o grupo reagiu ao tufão e a capacidade de mobilização serão decisivas – mas, neste momento, incertas, frisa Sonny Lo.

 

Já em relação à magnata do jogo Angela Leong, que desde 2005 tenta chegar ao número dois, o académico mostra-se mais optimista: “É uma possibilidade realística que o grupo de Angela Leong pode conseguir mais um lugar. A julgar pelo passado,  o grupo tem organizado actividades de forma a manter o ímpeto dos apoiantes.

 

Nas últimas eleições, a directora executiva da Sociedade de Jogos de Macau, falhou a eleição do segundo candidato por um triz. Ficou a uma margem mínima de votos de José Pereira Coutinho, que assegurou dois mandatos.

 

Sonny Lo não dá a reeleição do Leong Veng Chai como garantida: “Coutinho trabalhou muito nos últimos anos e a sua base manteve-se em vários sectores da população de Macau. Ainda é relativamente forte e deverá conseguir manter pelo menos um lugar”.

 

Também a lista de Melinda Chan, com Jorge Valente como número três, deverá continuar a eleger um deputado, nas previsões do académico.

 

A juventude será decisiva nestas eleições, remata Sonny Lo, ao afirmar que os eleitores mais jovens são muito críticos do desempenho do Governo, sobretudo depois do tufão Hato.

 

Para estas eleições, estão inscritas 97 mil pessoas entre os 18 e os 39 anos – falta saber se vão ou não votar.

 

Sónia Nunes