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Prova contra irmãos Coutinho “reconstituída" por duas vezes
Quarta, 13/09/2017

Um investigador da Polícia Judiciária admitiu hoje em tribunal que a principal prova contra os irmãos Pereira Coutinho foi mexida pelas autoridades de Hong Kong, antes de chegar a Macau. Em causa está a encomenda com quatro pacotes de canábis, apreendida no processo.

 

Alexandre e Benjamim Pereira Coutinho, em prisão preventiva, começaram a ser julgados a 5 de Setembro por um crime de tráfico de estupefacientes. A sessão de hoje do julgamento ficou marcada pelo depoimento de um investigador da PJ, que disse ter acompanhado de perto o caso assim que a droga chegou a Macau.

 

A tese da polícia é que Benjamim Pereira Coutinho terá encomendado pelo correio 1kg de canábis do Canadá, que seria vendida em Macau pelo irmão e pelo terceiro arguido no processo, Wong Sio Chong.

 

Ainda na versão da PJ, a encomenda terá sido despachada pelo serviço de entregas expressas DHL e interceptada logo nos Estados Unidos, a 9 de Novembro – mais de um mês antes de os arguidos serem detidos em alegado flagrante delito.

 

Com a encomenda parada nos Estados Unidos, a DHL terá informado Hong Kong das suspeitas de transporte de droga. O pacote seguiu viagem e, pelo testemunho prestado hoje pelo investigador da PJ, foi retido pela alfândega quando chegou a Hong Kong – sem a presença de autoridades de Macau, a caixa foi aberta, analisada, voltada a fechar e então enviada para o destino final.

 

Já em Macau, ainda de acordo com o polícia que participou na investigação, encomenda foi novamente aberta, a droga retirada uma segunda vez para análise e, mais uma vez, recolocada na embalagem original.

 

Questionado pela defesa – que tentou tentou demonstrar que a prova foi manipulada – o investigador admitiu que a encomenda foi “reconstituída” e entregue depois à DHL de Macau. A polícia ficou à espera que os irmãos Pereira Coutinho levantassem a encomenda, o que terá acontecido em Dezembro de 2016, dias antes do Natal – altura em que os arguidos foram detidos e entregam os telemóveis à polícia.

 

O agente da PJ confirmou também que, além da perícia feita à droga, a investigação resumiu-se às trocas de mensagens e chamadas telefónicas entre os irmãos e o terceiro arguido.

 

Nas conversas, segundo a testemunha, Benjamim terá aconselhado o irmão a não levantar a encomenda, tendo em conta a demora a chegar a Macau.

 

Os irmãos terão ainda discutido diferentes endereços para receber o talão de levantamento, acabando por dar a morada de um stand de automóveis, ligado a Alexandre Pereira Coutinho. O investigador disse que as outras hipóteses ponderadas foram a sede da Associação dos Trabalhdores da Função Pública e uma antiga residência do pai dos arguidos, o político José Pereira Coutinho.

 

A PJ apresentou ainda como prova o número da encomenda, com a testemunha a afirmar, sem margem para dúvidas, que o código PO, do pedido de compra, foi “combinado” pelos dois arguidos.

 

O julgamento continua na próxima quarta-feira. Há ainda testemunhas por ouvir, mas o tribunal acredita que será dado início à fase de alegações finais.

 

Sónia Nunes