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Legislativas 2017: os candidatos e as propostas da lista 7
Quarta, 06/09/2017

Os canais portugueses da TDM apresentam durante o período de campanha eleitoral um perfil das listas candidatas às eleições para a Assembleia Legislativa. Os candidatos e as propostas, com emissão na Rádio Macau às 9h30 e 16h, e no Canal Macau durante o Telejornal.

 

A lista 7 é a da Associação Novo Progresso de Macau, a única lista que este ano sai da Associação Novo Macau, o berço do movimento pró-democracia local. Em ambiente de crise, com várias baixas a registar – desde o presidente, Scott Chiang, que aguarda pelo fim das eleições para se demitir, ao veterano Au Kam San – vai a votos por conta própria. Não tem apoio dos grandes líderes históricos, como Ng Kuok Cheong.

 

O cabeça-de-lista é Sulu Sou, que nas legislativas de 2013 concorreu como número dois de Au Kam Sam. Era, até então, um discreto estudante de ciência política na Universidade Nacional de Taiwan. Menos de um ano depois, aos 23 anos e quase acabado de chegar à Novo Macau, foi eleito presidente da associação, em substituição do activista Jason Chao.

 

Sulu Sou ganhou grande projecção em Maio de 2014: foi um dos líderes do maior protesto em Macau, depois das marchas de apoio aos estudantes de Tiananmen, em 1989.  Mais de 20 mil pessoas na rua, contra um pacote de regalias para membros cessantes do Governo. A capacidade de mobilização não se repetiu. Com menos de um ano de mandato cumprido, Sulu Sou pediu a demissão da Novo Macau e eclipsou-se: voltou à praça pública no final do ano passado.

 

Os novos líderes da Novo Macau são mais activistas, mais à margem do sistema e promovem causas até há pouco tempo estranhas à associação, como os direitos dos LGBT. Escolheram, no entanto, um conservador para número 2: Paul Chan Wai Chi.

 

Chan Wi Chi foi já deputado, eleito como número dois de Ng Kuok Cheong. Foi em 2009 – o primeiro e último ano em que a Associação Novo Macau dividiu para reinar, conseguindo eleger três deputados,  graças à separação em duas listas concorrentes. A estratégia não funcionou segunda vez. Com a ala mais activista à frente da associação, a concorrer em separado numa terceira lista e a conseguir pouco mais de três mil votos, a Novo Macau perdeu um mandato: Chan Wai Chi falhou a reeleição em 2013.

 

Nas listas da associação desde 2005, Chan Wai Chi tem 60 anos, é professor de história e de chinês do colégio Yuet Wah, tirou também um curso de Estudos Católicos em Roma e dirige o “Observatório de Macau”, o jornal da Associação dos Leigos Católicos de Macau, onde é membro activo.

 

Lei Kuok Keong é o número três, tem 35 anos, está no comércio dos vinhos e faz hoje parte da direcção da Novo Macau. É presidente da Associação Juventude Dinâmica, criada em 2010, composta, sobretudo,  por membros da Novo Macau e igualmente inspirada nos movimentos dos jovens estudantes de Hong Kong e Taiwan.

 

A reforma politica é a grande agenda. A lista defende que o Chefe do Executivo e todos os deputados devem ser eleitos por sufrágio directo.

 

A defesa da autonomia da RAEM, dentro do princípio “um país, dois sistemas” está também entre a prioridades, com a lista a destacar a defesa da liberdade de expressão e de imprensa.

 

O grupo quer também o aumento das competências do Comissariado contra a Corrupção e do Comissariado de Auditoria.

 

Sónia Nunes