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Membro do CPU avança plano contra cheias no Porto Interior
Sexta, 01/09/2017

O membro do Conselho do Planeamento Urbanístico Lee Hay Ip diz ter uma solução para as cheias no Porto Interior que pode ser construída de forma mais rápida e mais barata do que o plano do Governo, actualmente em estudo, disse à TDM – Rádio Macau o também dirigente da Associação de Engenharia Geotécnica de Macau.

 

Há vários anos que se tenta encontrar formas de resolver o problema das cheias no Porto Interior e, esta semana, as Obras Públicas deixaram entender que, após a conclusão dos estudos, prevista para o final do próximo ano, a construção de um sistema de comportas de retenção das marés poderá arrancar em 2019.

 

A ideia deverá passar por erigir uma barreira que atravesse desde a área do Templo de A-Má até Wanchai, na China.

 

Lee Hay Ip diz que a proposta do Governo “é boa, mas há algumas questões que precisam de explicação”.

 

Em primeiro, observou, “será preciso decidir quando as barreiras deverão ser levantadas do fundo do mar para impedir que a água chegue ao Porto Interior”.

 

Lee antevê problemas porque se trata de uma operação transfronteiriça: “Como será a decisão de quando fechar a comporta, por exemplo, se em Macau estiver içado o sinal 8 de tufão e em Zhuhai estiver o 3? Vamos fechar a comporta?”

 

Depois, Lee alerta que o problema não ficaria resolvido a montante, pois, “ao fechar o rio do mar, durante tufão e as chuvas continuaria a entrar água do rio no Porto Interior”.

 

O engenheiro pergunta se isto “significa que precisamos de outra barreira a montante, perto do Parque Industrial Transfronteiriço, ou mesmo mais acima?”

 

Outra questão para a qual Lee Hay Ip alerta é o período de construção, que pode ser longo.

 

Não são conhecidas estimativas sobre a duração da execução ou o orçamento do plano do Governo, mas Lee dá como exemplo a barreira anti-inundação do Rio Tamisa, em Londres, que “levou 10 anos a construir e custou o equivalente a 16 mil milhões de dólares de Hong Kong”.

 

Por isso, Lee propõe uma solução que “pode ser temporária ou estender-se”: “Construir duas pequenas comportas, uma no Fai Chi Kei e outra no templo de A Ma. E, no meio do rio, uma barreira, formando um lago semelhante aos que existem em Nam Van e Sai Van”, explicou.

 

Lembrando que, “durante as tempestades, o nível do mar sobe, tal como o nível do rio, com a água a vir da China”, Lee Hay Ip diz que, nesse cenário, “a barreira e as duas comportas seriam a primeira defesa”.

 

Quando a água ultrapassar o nível da barreira ou das comportas, “a água poderá ir para o lago, que levaria algum tempo a ser preenchido. Quando isso acontecer, ou até antes, então a água começará a sair para o Lago Sai Van e, se este encher, então a água será bombeada ou dirigida para o Lago Nam Van”.

 

Lee Hay Ip defende que uma vantagem do sistema que propõe é que aproveita o “curso natural da água, minimizando a necessidade de bombear, o que requer energia”, que às vezes falha, como aconteceu durante o tufão Hato.

 

Mas Lee também destaca o potencial de reabilitação do Porto Interior, que, uma vez transformado no que o engenheiro designa de “lago interior”, poderia ser reconvertido numa zona recreativa: “Podemos controlar o nível da água dentro do lago com o sistema de duas comportas, a montante e a jusante. Na maior parte do tempo, o lago seria uma zona recreativa, com actividades aquáticas e percursos para bicicletas e para correr”.

 

Outra vantagem, entende, é que a operação deste sistema decorreria sempre na jurisdição de Macau, ao contrário do plano do Governo, que depende de Zhuhai.

 

Já o principal problema, antevê Lee, estaria relacionado com a circulação de embarcações, que teria que ser limitada, “uma por uma, através da doca na zona norte, perto do Fai Chi Kei”. Mas, mesmo assim, “poderia continuar a fazer-se”.

 

Para já não há custos estimados, mas pela dimensão das construções envolvidas, e devido ao facto de dispensar a construção de “diques terrestres”, Lee acredita que o plano que propõe será mais barato: “Comparativamente, a minha proposta seria provavelmente muito, muito mais barata, pelo que a relação custo/eficácia seria mais elevada do que a do Governo”.

 

Lee chama ainda a atenção para o facto de o plano do Executivo implicar “muitos equipamentos mecânicos e electrónicos para levantar as comportas, o que é caro”, enquanto o plano que propõe “consiste numa operação mais simples”.

 

Ressalvando que se trata de “proposta preliminar”, Lee Hay Ip diz que se o Governo se mostrar interessado poderá desenvolver o plano.

 

Contudo, observa que, para isso, são precisos dados que o Executivo não tem partilhado: “Preciso de informação do Governo, o que é muito difícil. Não estão dispostos a partilhar os dados do tufão. Tenho que procurar nas notícias e na internet para estimar o volume das inundações, as áreas de inundação, ou o nível mais alto da água. É tudo feito por mim e por mais dois amigos”.

 

Hugo Pinto