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Larry So: Não houve plano de gestão de crises ou coordenação
Sexta, 01/09/2017

Faltou preparação e um plano de gestão de crises ao Governo para lidar com o impacto do tufão Hato. É a avaliação do comentador político Larry So.

 

Em declarações à TDM – Rádio Macau, o ex-professor da Escola de Administração Pública do Instituto Politécnico de Macau mostrou-se desapontado com a capacidade de resposta do Executivo liderado por Chui Sai On: “Não é muito boa. Em primeiro lugar, o Governo devia ter um plano de gestão de crises, ou uma comissão. Parece que não há qualquer plano desses, que faça a previsão, a preparação e, depois, a implementação e operação do auxílio e salvamento. Não houve avisos suficientes sobre este tufão, que podia ser muito forte e provocar grandes desastres”.

 

Larry So destacou ainda o exemplo da falta de coordenação dos muitos voluntários que se ofereceram para ajudar nas operações de limpeza e alívio: “Parece que o Governo não tinha qualquer plano de coordenação e nas operações de salvamento parecia que não sabia o que fazer, sobretudo uma vez que havia muitos residentes voluntários que trabalhavam sob instruções das próprias organizações a que pertencem, sem que o Governo os tivesse coordenado. Isso levou a que muitos recursos tivessem sido desperdiçados”, sublinhou.

 

Para o académico, “a falta de coordenação é a questão principal nesta operação de recuperação” e “o Chefe do Executivo tinha a responsabilidade de, pelo menos, ter nomeado uma pessoa para coordenar a comunidade”.

 

Neste sentido, Larry So observou que, “sem a ajuda do Exército de Libertação Popular, teria havido mais dificuldade” em repor a normalidade nas ruas de Macau depois do tufão Hato.

 

Mas o politólogo também entende que os militares chineses deviam ter sido chamados mais cedo, no que classifica de “decisão tardia” de Chui Sai On: “O Chefe do Executivo chamou o Exército de Libertação Popular no segundo dia e começaram a actuar ao terceiro dia. Se os tivesse chamado no primeiro dia, podíamos estar melhor”.

 

A pedido do Governo de Macau, os militares chineses foram mobilizados no dia 25 de Agosto, dois dias depois de Macau ter sido atingido pelo tufão Hato, que fez 10 mortos, mais de 200 feridos, bem como diversos estragos e inundações por todo o território. A missão do Exército de Libertação Popular terminou no dia 28 de Agosto.

 

Para Larry So, a “resposta tardia” emerge de um padrão que qualifica de “burocrático” nas tomadas de decisão por parte do Governo: “Isto é um típico padrão burocrático. Tudo tem que passar de canal para canal, por vários níveis. Tudo tem que estar centrado no topo da hierarquia. É exactamente este o padrão do que está a ser feito em Macau. Assim, não é muito fácil fazer coisas e por isso tudo é atrasado, decisões e acções”.

 

Após o tufão Hato, o Chefe do Executivo anunciou uma nova comissão para rever a forma de lidar com catástrofes.

 

A Comissão para a Revisão do Mecanismo de Resposta a Grandes Catástrofes e o seu Acompanhamento e Aperfeiçoamento é presidida pelo Chefe do Executivo e composta por todos os cinco secretários do Governo, o director-geral dos Serviços de Alfândega e o comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários.

 

Este órgão segue-se ao Conselho para o Tratamento de Incidentes Imprevistos, criado em 2012 e igualmente presidido pelo Chefe do Executivo, que Larry So duvida que tenha valido durante o tufão Hato: “Será que este conselho estava a funcionar? Tenho sérias reservas sobre isso. Não tenho a certeza de que estaria a funcionar durante o tufão Hato. Mais vale abolir o conselho e começar tudo de novo com a nova comissão”.

 

A TDM – Rádio Macau questionou o Gabinete do Chefe do Executivo sobre quantas vezes o Conselho para o Tratamento de Incidentes Imprevistos esteve reunido, bem como os temas que terão sido debatidos ou que decisões foram tomadas no seu âmbito, mas estas perguntas não foram respondidas.

 

Hugo Pinto