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Miguel Poiares Maduro: “falta forma de união política” na UE
Sexta, 10/02/2012

 

A Europa ainda não assumiu que a integração exigiu um grau de interdependência dos Estados membros que exige forma de governo comum, o que está por detrás da actual crise. A ideia é defendida por Miguel Poiares Maduro, especialista em Direito da União Europeia que profere, esta sexta-feira, uma palestra na Universidade de Macau, no âmbito da Cátedra Jean Monnet sobre “Como é que a crise do euro se tornou numa crise da integração europeia.”

 

À Rádio Macau o docente defende que “falta formas de união política” na Europa, nomeadamente “incentivos e mecanismos de responsabilidade política a que os líderes respondem”. O docente dá o exemplo da Alemanha: “se os alemães não percebem que a crise do euro é também uma crise da Alemanha é óbvio que eles não fornecem à chanceler Merkel os incentivos políticos necessários para ela tomar as decisões no quadro da União Europeia que a Europa necessita”.

 

O docente  diz-se ainda um “grande crítico da estrutura institucional que saiu do Tratado de Lisboa” porque, defende, “criou mais figuras institucionais sem dar mais capital político aos líderes”. No seu entender “de pouco serve ter mais presidentes na União Europeia se esses presidentes não têm peso político suficiente para exercer liderança”.

 

 A longo prazo, entende Miguel Poiares Maduro, é preciso “criar mecanismos de emergência em que as decisões políticas europeias têm por base um verdadeiro espaço político europeu (...) em que os cidadãos, quer a nível nacional quer no contexto da União Europeia, percebam o grau de interdependência que já existe entre os diferentes estados”.

 

A Ásia é, no entender do especialista, a “parte da saída para a crise” embora considere que a Ásia “seja também um factor da crise europeia” ao colocar em “causa a competitividade económica europeia”. Mudanças é o que se exige na Europa que “tem de repensar a sua lógica de competitividade que passa muito (...)pelo sistema educativo e ciência”, acrescenta Miguel Poiares Maduro.