Em destaque

18 de Abril de 2019: às 12h30, o BNU negociava 1 euro por 9,1616 patacas e 1,1296 dólares norte-americanos.

 

Helder Macedo: Macau é uma “metáfora surrealista”
Quarta, 26/07/2017

Pela segunda vez em Macau, Helder Macedo descreve o território como um local de “contradições”, sintetizado numa “metáfora surrealista”. “É uma sociedade baseada, economicamente, em jogo, que tem mecanismos aleatórios e de especulação. A ideia de jogo é também a ideia de não planeamento. Mas é uma região com protecção social ao mesmo tempo. As pessoas recebem pensões por existirem. O nível de educação e de alfabetização é alto. A esperança de vida é altíssima. Mas tudo baseado naquilo que, entre aspas, seria corrupção. Mas é uma corrupção que está de tal maneira regulamentada que deixa de o ser”, expõe.

 

O poeta, romancista, ensaísta, investigador e professor jubilado do King's College, em Londres, é um dos nomes do XII Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas. Helder Macedo tem, entre as várias obras que assina, um volume intitulado “Camões e Outros Contemporâneos”, que oferece um olhar sobre oito séculos de literatura portuguesa. Esta quarta-feira, o autor moderou uma mesa de escritores composta pela brasileira Ana Miranda, pelo moçambicano João Paulo Borges Coelho e pelo português, radicado em Macau, Carlos Morais José. Este último puxou o tema do exílio, que acabou por ser desenvolvido ao longo da sessão.

 

Helder Macedo recorda que, durante a ditadura portuguesa, muitos escritores foram obrigados a isso. “Vivíamos exilados dentro do próprio país. O exílio é uma punição. Ora para haver uma punição, tem que haver uma autoridade. Na minha geração, muitos recusavam a autoridade como forma de liberdade”, lembra o autor, que é presidente honorário da Associação Internacional de Lusitanistas.

 

Na sessão moderada por Helder Macedo, destacaram-se ainda as intervenções de João Paulo Borges Coelho sobre a necessidade da literatura moçambicana entrar na contemporaneidade. Ana Miranda abordou a questão do sonho, já que muitas das obras que tem baseiam-se em experiências que fogem à realidade. Carlos Morais José, além da questão do exílio na literatura, referiu a importância histórica de Macau, nos contactos da China com o exterior, e a importância da língua portuguesa, na estratégia internacional do Governo Central.

 

Pedro Galinha