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Liu Xiaobo excluído de antologia de poesia para não ofender
Domingo, 16/07/2017

Dois poemas de Liu Xiaobo foram rejeitados pelo editor do livro “500 Poemas Chineses” com tradução em português, lançado em Macau, em 2013. Era uma “confrontação desnecessária”, num “livro de celebração do encontro entre Portugal e a China”, disse à TDM – Rádio Macau Carlos Morais José, da Livros do Meio.

 

O editor explicou que não quis confundir poesia com activismo político num projecto que nasceu para celebrar “uma festa, que são os 500 anos de encontro entre portugueses e chineses”.

 

A obra foi lançada, em 2013, pela Livros do Meio, editora de Carlos Morais José, em parceria com a Casa de Portugal em Macau, com o apoio do Instituto Cultural.

 

A informação de que dois poemas de Liu Xiaobo tinham sido recusados foi revelada por António Graça de Abreu, escritor e tradutor, convidado a seleccionar poemas para a antologia.

 

Na rede social Facebook, a propósito da morte de Liu Xiaobo, na última semana, Graça de Abreu contou ter enviado a tradução para português de “muitos autores” que apareceram na obra "500 Poemas Chineses", mas os dois poemas de Liu Xiaobo que incluíra “foram liminarmente suprimidos”.

 

Em declarações à TDM – Rádio Macau, Carlos Morais José disse ter optado por não usar os poemas de Liu Xiaobo porque o dissidente, prémio Nobel da Paz em 2010, “era considerado um criminoso pelas pessoas que estavam a pagar o livro”.

 

Garantindo que a decisão foi individual e que não sofreu qualquer pressão, Carlos Morais José explicou que “o dinheiro vinha da Fundação Macau, do governo chinês”.

 

O editor contou que não quis “estar a fazer problemas a quem estava a dar o dinheiro, sabendo que esses problemas iam acontecer”.

 

O livro “500 Poemas Chineses” foi lançado no dia 11 de Novembro de 2013 no auditório do Consulado de Portugal em Macau, para assinalar os cinco séculos de relações entre Portugal e a China, com a presença de representantes do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau.

 

Liu Xiaobo, falecido no passado dia 13 de Julho, aos 61 anos, vítima de cancro do fígado, era escritor e, antes de ter enveredado pelo activismo político, tinha sido professor universitário de literatura.

 

Em 2009, Liu Xiaobo foi condenado a 11 anos de prisão por subversão, depois de ter exigido reformas democráticas na China. No ano seguinte foi distinguido com o Nobel da Paz.

 

Liu Xiaobo foi o primeiro Prémio Nobel a morrer privado de liberdade desde o pacifista alemão Carl von Ossietzky, que morreu em 1938 num hospital quando estava detido pelos nazis.

 

Hugo Pinto