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Novo Macau organiza vigília em memória de Liu Xiaobo
Sexta, 14/07/2017

Um sinal de respeito pela luta e pela memória de Liu Xiaobo. É o que a Associação Novo Macau pretende manifestar com a realização de uma vigília, hoje, entre as 17 e as 19 horas, no Largo de São Domingos, um dia depois de o único Nobel da Paz chinês ter falecido, aos 61 anos.

 

O escritor e dissidente estava hospitalizado em Shenyang, depois de, em Maio, lhe ter sido diagnosticado um cancro do fígado já em fase terminal, tendo falecido enquanto cumpria uma pena de 11 anos de prisão a que fora condenado, em 2009, por “incitamento à subversão”, devido a ter sido um dos promotores da “Carta 08”, um manifesto que pedia reformas democráticas na China e também o primado da lei.

 

Liu Xiaobo tornou-se o primeiro Prémio Nobel a morrer privado de liberdade desde o pacifista alemão Carl von Ossietzky, falecido em 1938 num hospital quando estava detido pelos nazis.

 

Em declarações à TDM – Rádio Macau, Scott Chiang, presidente da maior associação pró-democracia de Macau, disse que existe o dever de se homenagear Liu Xiaobo: “Como cidadãos de Macau, bem como da China, temos de materializar os nossos pensamentos sobre Liu Xiaobo e a sua família, pelo que ele fez pelo país e pela visão que tinha de uma China melhor e mais democrática. E também pelo sofrimento por que passou. Julgamos que ele merece algum respeito por parte das pessoas de Macau, que devem lembrá-lo”.

 

O Comité Nobel, que distinguiu Liu Xiaobo com o prémio da Paz em 2010, acusou o Governo da China de ter “uma pesada responsabilidade na morte prematura” do dissidente chinês, ao privá-lo de “tratamento médico adequado”.

 

Em comunicado, assinado pela presidente do Comité Nobel, Berit Reiss-Andersen, escreve-se que os membros deste corpo tomaram conhecimento da morte de Liu “com pesar e grande tristeza” e recorda-se que o dissidente foi distinguido com o Nobel da Paz “pelos seus esforços para implementar os direitos humanos fundamentais garantidos nos instrumentos internacionais e na Constituição chinesa”.

 

O Comité realça, ainda, que Liu Xiaobo “foi uma figura destacada do movimento chinês pela democracia durante quase 30 anos”, desde que “as manifestações de 1989 na Praça Tiananmen o levaram da vida académica para o activismo”.

 

Nas declarações que fez à TDM – Rádio Macau, Scott Chiang disse acreditar que a luta de Liu Xiaobo não foi em vão: “Julgo que algum dia a China irá mudar substancialmente e essa mudança, quando eventualmente acontecer, estará enraizada em pessoas como Liu e no seu esforço. Assim, considero que manter o movimento a avançar e o sonho vivo é muito importante”.

 

Scott Chiang afirmou, ainda, que o exemplo de Liu Xiaobo pode vir a ser especialmente valioso para Macau, território que o activista prevê poder ficar cada vez mais parecido com a China em termos de repressão: “Talvez não nos próximos anos, mas no médio e no longo prazo poderemos vir a ter maior opressão das pessoas que procuram uma sociedade mais democrática e uma China mais aberta. Esse tipo de questões vão encontrar críticas mais duras e até perseguição. [Actualmente] o Governo de Macau tenta aprovar uma lei de segurança da internet e qualquer pessoa com o mínimo de inteligência pode ver que isso se trata de censura ‘online’, à maneira de uma lei de segurança. Estamos a aproximar-nos da mãe-pátria? Talvez. Cabe a cada um de nós impedir essa tendência”.

 

Hugo Pinto