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Interrogatório do FBI a Ng Lap Seng rejeitado pelo tribunal
Quinta, 27/04/2017

As declarações recolhidas pelo FBI após a detenção de Ng Lap Seng não podem ser usadas em tribunal. Os advogados do empresário de Macau acusado de suborno a um ex-diplomata das Nações Unidas conseguiram assim uma vitória, com o juiz norte-americano considerar que a continuação do interrogatório após Ng ter solicitado a presença do seu representante foi imprópria.

 

A conversa que Ng Lap Seng teve com o FBI já depois de solicitar um advogado fazia parte das provas que o departamento de investigação entregou ao tribunal, mas acabou rejeitado. Ng Lap Seng está detido desde 2015 nos Estados Unidos depois de ter sido acusado de suborno a John Ashe, antigo presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, entretanto falecido, para que este apoiasse a construção de um centro de convenções em Macau, a edificar pela empresa Sun Kian Ip Group, detida por Ng.

 

Nestas declarações, Ng Lap Seng diz que a principal razão para as viagens à sede das Nações Unidas era promover a construção de um Centro de Conferências da ONU em Macau, o que, segundo o próprio, seria “o maior do Mundo”.

 

Na mesma entrevista do FBI Ng é questionado sobre uma fotografia que tirou ao lado do então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Segundo a transcrição, Ng foi apresentado a Obama por um amigo de Taiwan.

 

Os advogados do empresário argumentaram que a acusação tem motivações políticas, acrescentando que a prisão de Ng deve-se à intenção da ONU em bloquear o centro da organização na China, que existiria para servir as nações do hemisfério sul. Os defensores dizem que os Estados Unidos da América querem serenar o desenvolvimento da influência chinesa entre os países desenvolvidos.

 

Ng Lap Seng está em prisão domiciliária na sua casa em Manhattan, vigiado 24 horas por dia, como parte da fiança de 50 milhões de dólares que pagou depois da sua detenção em 2015. O empresário declara-se inocente das acusações de que contribuiu para um suborno de mais de um milhão de dólares ao antigo presidente da Assembleia Geral da ONU.

 

O juiz Vernon S. Broderick autorizou os procuradores a dirigirem-se a Ng Lap Seng como "Boss Wu", apesar da defesa ter dito que o uso de certas palavras podem levar o júri a conectar Ng com o crime organizado. Broderick disse que os jurados têm de ser informados de que o termo “boss” ou “chefe”, em português, é uma referência a alguém com um estatuto superior e não a um cabecilha de qualquer organização criminosa. Acusação e defesa não comentaram esta medida do juiz.

 

Broderick ordenou ao Governo que identifique os alegados cúmplices do empresário e valores do suborno até pelo menos duas semanas antes do arranque do julgamento, marcado para 30 de Maio.