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Ho Chio Meng: foi um dirigente do MP que denunciou o caso
Quarta, 19/04/2017

Ho Chio Meng disse hoje que foi alguém com o cargo de dirigente no Ministério Público que denunciou o caso que o levou ao banco dos réus. O ex-Procurador da RAEM queixou-se ainda que o processo foi entregue ao Comissariado contra a Corrupção (CCAC) sem que tenha havido qualquer inquérito e mencionou que “algumas das acusações partem de deduções”.

 

Uma delas, diz Ho Chio Meng, está relacionada com a co-arguida Wang Xiandi, tema da sessão de hoje no Tribunal de Última Instância. A acusação considera esta uma “amiga íntima do ex-Procurador”. Já Ho Chio Meng refere que a mulher foi contratada para ajudar em investigações conjuntas com a China, como, por exemplo, uma relacionada com a candidatura a Chefe do Executivo em 2009, quando Chui Sai On foi candidato.

 

Tocando no assunto da denúncia pela primeira vez, Ho Chio Meng não diz quem é a pessoa, nem se é homem ou mulher, mas afirma que esse alguém fez todo o processo agora usado pela acusação sem ter feito qualquer tipo de inquérito e entregou-o ao CCAC, em conjunto com uma lista de mais de 40 alegados envolvidos, que – “em 48 horas” - arranjou uma equipa de vinte investigadores para recolher declarações e iniciar o processo.

 

O ex-Procurador disse que denúncia partiu de um dirigente “com dor de cotovelo”. Na equipa de dirigentes de que se tem falado no tribunal constam, além de Ho Chio Meng, António Lai Kin Ian, Chefe do Gabinete do Procurador e arguido no processo, e Elsa Cheang Heng Ship, Chefe-adjunta, que não está acusada.

 

O processo foi entregue em 2015, não se sabendo a qual equipa de dirigentes se refere Ho Chio Meng, que diz, no entanto, que esse dirigente “assumiu que Wang Xiandi não trabalhava no MP porque nunca a viu lá”.

 

A co-arguida no processo foi hoje tema central da sessão. Wang Xiandi teria um contrato individual de trabalho que a que a acusação diz ser diferente, em termos de regalias, face a outros funcionários. Foi contratada como “perita” numa primeira vez e como assessora numa segunda. Seria uma espécie de informadora, que “recolhia elementos entre Macau e a China, investigava identidades e servia de intermediária graças a uma rede de contactos”.

 

Ho Chio Meng deu exemplos concretos: casos que envolvem grandes casinos e dirigentes do Exército Popular – e que foram “resolvidos de forma pacifica para se evitarem acções legais” –, um caso de recuperação de 400 milhões de patacas do Reino Unido, que será referente ao antigo Secretário Ao Man Long, e até em “trabalhos de investigação pedidos pelas autoridades” nas eleições para o cargo de Chefe do Executivo em 2009, quando Chui Sai On foi candidato.

 

O ex-Procurador diz que há quem possa provar isso e assegura que a mulher usaria os seus contactos para sacar informações, não tendo de se apresentar como funcionária do MP. Os trabalhos e dados de Wang Xiandi eram confidenciais, ela respondia directamente ao ex-Procurador e, segundo testemunhas, nunca foi vista no MP, tendo sido identificada apenas em visitas oficiais.

 

Alegações que levam a acusação a dizer que o trabalho era mera fachada e que Wang não exercia qualquer função. A acusação descredibiliza, por isso, a contratação de Wang Xiandi, da China continental, e diz que ocupava um cargo – o de perita – que não existe na Função Pública , ainda que, após muita insistência, testemunhas tenham admitido que há mais pessoas da China Continental a trabalhar desta forma noutros departamentos públicos.

 

Um motorista de Ho Chio Meng admite ter transportado Wang Xiandi e o ex-Procurador para um “departamento de segurança na China” e para outras entidades jurídicas, mas também para o Wafa, um complexo habitacional em Zhuhai.

 

A acusação, de burla elevada, envolve mais de cinco milhões de patacas em salários, subsídios e despesas. O julgamento continua amanhã.