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Ho Chio Meng: Co-arguido comprou armazém para arrendar ao MP
Quarta, 05/04/2017

No julgamento de Ho Chio Meng, uma testemunha mostrou hoje em tribunal que o empresário Wong Kuok Wai adquiriu um de dois armazéns arrendados pelo Ministério Público a pessoas envolvidas no processo meses antes deste arrendamento acontecer. A acusação continua a dizer que o ex-Procurador trabalhou em conluio com outras pessoas para burlar a Procuradoria.

 

Em Agosto de 2010, o empresário Wong Kuok Wai, co-arguido no processo que levou Ho Chio Meng ao banco dos réus, comprou um armazém na zona norte da cidade. Dois meses depois, em Outubro desse ano, o Ministério Público adjudica a uma empresa alegadamente fachada (controlada por co-arguidos) serviços para obras de decoração. As obras custam meio milhão de patacas ao Ministério Público, mas acontecem meses antes do espaço ser arrendado oficialmente pla Procuradoria.

 

Há documentos que mostram estas transacções e uma das duas testemunhas hoje ouvidas – uma investigadora do Comissariado contra a Corrupção que foi também ouvida na semana passada – tentou provar, assim, um dos itens da acusação: que Ho Chio Meng e os co-arguidos trabalharam em conluio para “burlar” o Ministério Público.

 

Hoje mostrou-se também no Tribunal de Última Instância que as empresas controladas pelos co-arguidos sabiam que iam receber serviços antes destes serem oficialmente adjudicados.

 

Também hoje testemunharam dois investigadores do CCAC – ambos continuaram a não conseguir responder a muitas das questões da defesa. Oriana Pun, advogada de defesa de Ho Chio Meng, conseguiu fazer com que as testemunhas admitissem que muitas das conclusões do CCAC não têm base, já que não foram investigadas concretamente.

 

Os investigadores admitiram que, em alguns casos, não se questionaram funcionários do MP – por exemplo, sobre se foi realmente Ho Chio Meng quem deu ordens para que determinadas empresas ganhassem concursos. As testemunhas admitiram não conseguir responder a algumas questões relacionadas com as principais alegações da acusação: que o ex-Procurador entregou contratos entregues a empresas alegadamente falsas.

 

Na sessão de hoje no TUI ficou ainda a saber-se que o CCAC utilizou, para testemunhar, um papel que entende ser uma prova contra Ho Chio Meng, mas que foi cedido pela própria procuradora-adjunta que representa a acusação, não fazendo parte dos documentos iniciais do Comissariado.

 

O julgamento do ex-Procurador continua excepcionalmente amanhã.