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Trindade: “Toneladas de lixo atiradas à agua diariamente”
Sexta, 31/03/2017

Em Macau, “todos os dias” e a “toda a hora” se cometem “atentados” ambientais, ao atirar-se “milhares de toneladas de resíduos para as águas envolventes” do território, acusou António Trindade.

 

O presidente da CESL – Ásia, que operou a Estação de Tratamento de Águas Residuais da Areia Preta, entre 2011 e 2016, disse ainda, à TDM Rádio Macau, que a largada de resíduos na água é feita com o conhecimento da Administração: “Todos os dias há milhares de toneladas de resíduos que são atiradas para as águas envolventes de Macau, que antes eram da China, mas agora são de Macau. Isto é sabido pela Administração há dez anos, pelo menos. A toda a hora se cometem atentados”.

 

Observando que as autoridades não tomam medidas, António Trindade alertou para o perigo público resultante do impacto da poluição, afirmando que “há razões para aparecerem toneladas de peixes mortos na orla marítima de Macau. As razões são provocadas por Macau”.

 

António Trindade, entrevistado na décima edição do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau, acusou ainda as autoridades de “total desgoverno” na gestão ambiental e disse que ninguém assume a responsabilidade: “Nos últimos dez ou quinze anos em que se sabem quais são os problemas que existem nas infra-estruturas, [sabe-se que foram] causados por um total desgoverno. A exposição pública das consequências disso não é fácil de gerir. A gestão da imagem pública dos responsáveis tem prevalecido ao interesse público. É mais importante preservar uma imagem de estabilidade do que resolver os problemas e as implicações ambientais e sociais que esses problemas têm”.

 

Trindade afirmou também que, “na parte da gestão de infra-estruturas ambientais, há claramente um retrocesso. Há 20 anos Macau era um exemplo na Ásia na boa gestão ambiental, e hoje não, de todo”.

 

Observando que a Estação de Tratamento de Águas Residuais da Areia Preta está a atingir o limite da capacidade, António Trindade considerou que, em Macau, “não há liderança” na procura de soluções para os problemas ambientais.

 

O empresário criticou ainda o “simplismo” na tentativa de resolução das questões, dando o exemplo do acordo assinado nesta edição do Fórum Ambiental, entre os Serviços de Protecção Ambiental e um departamento congénere da província de Guangdong. O acordo inclui, por exemplo, actividades de planeamento e monitorização, assim como o tratamento de resíduos sólidos, investigação científica e um programa de tratamento e transferência de veículos abatidos.

 

Segundo António Trindade, o entendimento está “condenado ao fracasso”: “É urgente olhar para o desenvolvimento económico e as consequências do desenvolvimento económico e as soluções viáveis para as infra-estruturas para tratar dos resíduos sólidos, que não sejam o simplismo de dizer ‘agora fazemos um acordo com Cantão e manda os problemas para lá’. É uma solução condenada ao fracasso”.

 

Fracasso, explicou António Trindade, porque não é aceite internacionalmente que os resíduos passem fronteiras, e porque há fraca aceitação social da parte de quem recebe os resíduos.