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Ho Chio Meng: Advogados desistem de defender ex-Procurador
Quarta, 08/03/2017

Foi uma reviravolta inesperada. Passados quatro meses desde o início do julgamento, Ho Chio Meng perdeu toda a equipa de defesa. Isto porque os advogados se queixam de não conseguir defender o ex-Procurador.

 

Os causídicos consideram que o Tribunal não está a dar um tratamento igualitário à defesa e à acusação. Leong Weng Pun foi interrompido por várias vezes por um dos juízes do colectivo, quando questionava a testemunha em tribunal, um investigador do Comissariado contra a Corrupção que tinha apresentado argumentos que a defesa estava a tentar desconstruir. Estas interrupções já têm sido habituais em algumas das sessões, mas hoje o advogado chegou a dizer que parecia que o tribunal estava a tomar partido de um dos lados.

 

Leung Veng Pun queixou-se várias vezes de não ser “capaz de defender” Ho Chio Meng devido à forma como estavam a decorrer as sessões, disse sentir muita dificuldade e pediu até ao tribunal que lhe “desse hipótese de defender o seu cliente”.

 

À hora de almoço chegou a ser pedida a suspensão do julgamento, porque os advogados queriam perguntar a Ho Chio Meng se desejava continuar a tê-los como a sua defesa.

 

Às três da tarde o julgamento deveria ter sido retomado. Algo que não aconteceu. No Tribunal compareceram apenas os advogados, sem as togas e sem o processo. Juízes, procuradores e arguido não estavam sequer na sala de audiências. Os advogados admitiram então aos jornalistas terem sido eles quem “decidiu desistir da defesa” de Ho Chio Meng.

 

Leung Veng Pun disse que foi a “primeira vez em toda a sua carreira que teve de desistir de defender um cliente por não conseguir fazê-lo”. O advogado mostrou-se visivelmente frustrado e admitiu isso aos jornalistas, à saída do tribunal.

 

O ex-Procurador da RAEM, que está a ser acusado de mais de 1500 crimes, maioritariamente por corrupção, tem agora duas hipóteses: escolhe um novo advogado para o representar ou o tribunal apontará um representante oficioso para que o julgamento prossiga. O prazo para a prisão preventiva termina em Agosto deste ano, já que o ex-Procurador foi detido em Fevereiro do ano passado.

 

Num comunicado, o TUI informou que Ho tem cinco dias para decidir quem quer a representá-lo e escreveu ainda que o advogado tem de dar uma “explicação” oficial para o abandono do julgamento. O tribunal disse aos jornalistas que, oportunamente, será decidida uma nova data para a retoma das sessões. 

 

Num despacho proferido pelos juízes do TUI, o julgamento foi suspenso até à próxima segunda-feira. O despacho solicita também ao advogado de defesa de Ho Chio Meng para esclarecer junto do tribunal o motivo para ter abandonado o processo.