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Agnes Lam: estudantes chegam mais imaturos às universidades
Quarta, 08/03/2017

Os alunos que chegam hoje às universidades são mais infantis e têm menos curiosidade pelo mundo. A descrição é feita pela académica Agnes Lam e resulta de uma hora e meia de debate entre um grupo de professores que se juntou na Universidade de Macau para discutir o que diz ser a “grande distância” que separa o ensino secundário do ensino superior.

 

As causas são estruturais e estão relacionadas com uma mudança de valores: a sociedade ficou muito rica, muito depressa; os pais estão demasiado ocupados; falta tempo para conversar, para olhar o mundo, para ser curioso, diz Agnes Lam. Os estudantes que saiem do ensino secundário “estão mais habilitados, expressam-se melhor, dominam as novas tecnologias”. Têm o que a investigadora chama “capacidades básicas” – falta-lhes dois pontos essencial: maturidade e curiosidade. “É um grande desafio incentivá-los para serem dinâmicos e se automotivarem numa sociedade que é muito rica, mas onde não é preciso ter muitas capacidades”, aponta Agnes Lam.

 

Em Macau, faltam também figuras de referência e as forças dominantes são conservadoras.

 

“A nossa sociedade não apoia o suficiente coisas novas. A sociedade, no seu todo, não é assim tão criativa. Por outro lado, não me parece que tenhamos suficientes figuras modelares. Se olharmos para quem é relativamente bem-sucedido, simplesmente dizemos: ‘Não posso seguir este exemplo, não sou de uma família rica’”.

 

Para inverter a tendência, Teresa Vong, directora do Centro de Investigação em Educação, deixa uma proposta: convidar os alunos do ensino secundário para assistirem a aulas nas universidades. Talvez, assim, remata, fiquem “mais interessados”.