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Mulheres recebem salários mais baixos mas não se queixam
Quarta, 08/03/2017

Em Macau, as diferenças entre homens e mulheres medem-se no mercado de trabalho. Elas ganham menos – nalguns casos, muito menos – e exercem, sobretudo, profissões de baixo nível. O retrato repete-se ao longo dos anos e foi agora confirmado pelo Departamento de Estado norte-americano. Para falar numa “significativa diferença” de géneros, Washington cita “observadores” – já que as queixas são poucas ou nenhumas.

 

Haverá um cenário de discriminação escondida: falam com elas, mas elas não falam. Em números: quando inquiridas, apenas três por cento das mulheres manifestam as suas preocupações sobre a desigualdade de género em Macau, contra todas as outras – 97 por cento – que optam pelo silêncio.

 

Os dados surgem num estudo recente feito pela académica Agnes Lam e permitem colocar em perspectiva outro dado estatístico, revelado na sexta-feira pelo Departamento de Estado norte-americano: a Provedoria de Justiça do Comissariado contra a Corrupção não recebeu qualquer queixa de discriminação contra mulheres, nos primeiros seis meses do ano passado.

 

Ainda assim, Washington conclui que há “diferenças salariais significativas”, sobretudo em trabalhos não qualificados.

 

Facto: as áreas em que é analisada a média de rendimentos por género confirmam que os homens recebem mais. É assim no jogo, a principal indústria de Macau, onde os salários das mulheres são 8 por cento mais baixos; é assim na banca, onde a remuneração média dos homens é 23 por cento mais alta, de acordo com os últimos dados dos Serviços de Estatística, referentes a 2016.

 

Na Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, não há registo de queixas de discriminação em função do género. Há antes denúncias de mulheres grávidas que foram despedidas: 23, entre 2013 e 2014. Apenas em relação a cinco dos casos, o Governo entendeu que as queixas tinham fundamento.

 

A última “Caracterização Social das Mulheres”, feita também pelos Serviços de Estatística, é, no entanto, clara: os rendimentos e a progressão na carreira são prejudicados, mesmo nos casos em que as mulheres exercem cargos de gestão ou são especialistas. O motivo? A desigualdade acontece também ao nível doméstico: apesar de mais de metade das mulheres terem as mesmas habilitações que os companheiros, a maior parte das responsabilidades familiares continua a recair sobre as mulheres, de acordo com o estudo.

 

O rendimento das mulheres casadas é também bastante inferior – em 2011, 57 por cento das mulheres ganhavam menos do que os maridos. Já as solteiras recebiam tanto ou mais do que os solteiros da mesma idade.

 

Apesar das diferenças salariais, os últimos três censos indicam que há cada vez mais mulheres em postos de gestão. No Governo, sabe-se que 39 por cento dos cargos de subdirector ou de nível superior são exercidos por mulheres.