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Ho Chio Meng: MP pagou viagens e quartos de hotel a pessoas
Segunda, 06/03/2017

Na sessão desta tarde do julgamento do ex-Procurador, Ho Chio Meng, o Tribunal de Última Instância continuou a ouvir um investigador do Comissariado contra a Corrupção que apresentou diversos documentos que indicam o pagamento, através do Ministério Público (MP), de alojamentos em hotéis e viagens de avião a pessoas externas ao serviço. 

 

São dezenas de reservas em nome de dezenas de pessoas: a testemunha mostrou, em tribunal, os documentos, que mostram o pagamento de despesas de alojamento – dentro e fora do território -, viagens de avião e gastos com serviços de quartos, através do MP. Segundo o investigador, há homens na lista, mas a maioria destas despesas cobria o alojamento e deslocações de “mulheres”, grande parte delas jovens e algumas até com apenas 17 ou 18 anos, o que leva o CCAC concluir que não podiam trabalhar no MP.

 

Os registos de entrada e saída de Ho Chio Meng na fronteira são compatíveis com as datas em que os hóspedes estavam nos hotéis – através desta informação é possível perceber que, quando o ex-Procurador estava em Macau, as reservas dos quartos eram feitas no território; se os hotéis ficavam no exterior, Ho Chio Meng estaria ausente de Macau.

 

Todas estas despesas eram pagas pelo MP, sob o pretexto de missões ou visitas oficiais. O investigador descreveu situações em que um homem do Continente pedia sempre “camas grandes” para os quartos e recordou até uma ocasião em que Ho Chio Meng assinou o recibo de um serviço de quartos, à 1h00 da manhã. Neste quarto, no hotel Landmark, estaria hospedada uma das mulheres.

 

O CCAC exclui que estas mulheres fossem familiares do ex-Procurador. Quem são, não é possível perceber, apenas que são do Continente. Durante o testemunho, o investigador insinuou que as mulheres eram “amigas de Ho Chio Meng, de jovem idade e com baixas habilitações literárias”, quando foi interrompido pelo presidente do colectivo de juízes. Sam Hou Fai quis saber se o investigador sabia o que é que o ex-Procurador foi fazer aos quartos de hotel, ao que a testemunha respondeu que não.

 

A testemunha voltou ainda a mencionar a existência de Wang Xiangdi, co-arguida no processo, que viajou com Ho Chio Meng até ao Dubai, tendo ficado hospedada no mesmo quarto que o ex-Procurador e feito visitas turísticas, também a cargo do MP.  

 

O investigador falou ainda em “dezenas de situações” em que Ho Chio Meng pagou viagens à esposa, filhos, cunhados e sobrinhos, tudo em nome do MP.

 

A sessão de julgamento, que continua na quarta-feira, terminou com o ex-Procurador a assegurar que “nunca burlou” o MP. Ho Chio Meng disse que um dos nomes, masculinos, que consta da lista é de um Procurador de Cantão. O ex-Procurador recusa confirmar se esteve no Landmark e não fez qualquer referência às alegadas amigas.