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Ho Chio Meng: Continuam divergências nas declarações do CCAC
Segunda, 06/03/2017

O Tribunal de Última Instância retomou hoje o julgamento do ex-Procurador Ho Chio Meng. Na sessão desta manhã foi ouvida mais uma testemunha do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), depois de, na semana passada, ter sido ouvida a investigadora principal do processo, que admitiu basear algumas das conclusões em “probabilidades e crenças”.

 

Em tribunal, as testemunhas do CCAC continuam a prestar declarações divergentes, com Zhao Weng a mudar o discurso frente à acusação e frente à defesa. O investigador apresentou-se com um “Power Point” e, como já vem sendo hábito, falou dos itens da acusação como factos concretos e também como se tivesse feito parte de toda a investigação.

 

Foi só frente a Leung Weng Pun, advogado de Ho Chio Meng, que se percebeu que, apesar de uma teoria que poderia ser sólida, as testemunhas do CCAC não conseguem, muitas vezes, apontar dados concretos. Por exemplo, o investigador dava conta de ter “descoberto” determinados factos, para mais tarde admitir que não esteve sequer no local e que baseou a sua investigação em fotografias, cedidas pela Procuradoria, e em “coisas que os colegas do MP disseram”.

 

Outra das contradições está relacionada com a casa de alojamento de Cheoc Van, que a acusação diz estar a ser usada por Ho em benefício próprio: a testemunha afirmou que só o ex-Procurador é que tinha as chaves da casa, que estavam guardadas em casa do pai e num envelope onde se lia “Casa de Cheoc Van”.  Se, perante a acusação, a testemunha garantiu que as chaves eram de lá, perante a defesa, Zhao Weng admitiu que “não experimentaram as chaves” na moradia. A justificação é a de que a proprietária teria mudado a fechadura – ainda que isto tenha acontecido apenas um mês depois do CCAC encontrar as chaves.

 

Na sessão desta manhã, foram ainda mostradas gravações de Ho Chio Meng a entrar e sair mais de uma dezena de vezes da sala de descanso de docentes, local que o ex-Procuradora usaria para massagens, apesar de ser arrendado pela Procuradoria. Com ele, estão desconhecidos, mas também funcionários do MP. O CCAC não sabe o conteúdo dos encontros na sala.