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Ho Chio Meng: Ouvida investigadora principal do CCAC
Sexta, 03/03/2017

No Tribunal de Última Instância, onde decorre o julgamento do ex-Procurador, começou a ser ouvida a primeira testemunha do Comissariado Contra a Corrupção. Coordenadora da investigação contra Ho Chio Meng, a investigadora levou consigo um Power Point, que usou para tentar provar todos os factos da acusação. Apesar de ter mostrado envolvimento do ex-Procurador nas empresas fachada, a mulher chegou a admitir perante a defesa que algumas das conclusões da investigação se basearam em presunções.

 

Ao Pan San, que foi sobretudo a responsável por analisar as ligações entre Ho Chio Meng e os outros co-arguidos com quem controlaria empresas fictícias, fala em relações muito estreitas entre todos eles, que se baseiam “em vários registos conjuntos de entrada e saída de fronteiras”. Logo no início do longo dia de declarações, a testemunha foi confrontada pela defesa sobre esta questão, a quem admitiu que afinal há apenas um destes registos. Ainda assim, a mulher tentou mostrar que a relação entre Ho Chio Meng e o empresário Mak Im Tai, ia além de uma relação fornecedor-cliente.

 

Ainda que o ex-Procurador tenha já admitido que era amigo deste empresário, a testemunha assegurou que se pode comprovar que os dois trabalhavam em conluio para beneficiar do erário publico, por exemplo porque se encontravam na “escola nocturna”, que seria código para “sauna” para, diz o CCAC, “combinarem de forma discreta os actos ilícitos que iam praticar”.

 

Por várias vezes a defesa tentou interromper as declarações: o advogado de Ho Chio Meng queixava-se de não ser justo o uso de Power Point, um documento que não está nos autos. Recordando o que aconteceu com o ex-Secretário Ao Man Long, acusado de corrupção quando Ho Chio Meng era Procurador e em cujo julgamento onde foi usado este mesmo recurso, Leung Weng Pun reclamou do facto do Tribunal deixar uma “testemunha usar gráficos nunca antes vistos pla defesa” e que “tomam como certas presunções dos investigadores”.

 

O colectivo, presidido por Sam Hou Fai, mandou seguir, o que irritou visivelmente o ex-Procurador, que gesticulou no ar durante vários minutos em jeito de reclamação.

 

A bancada da defesa disse mesmo haver partes que desfavorecem o arguido e que “impossibilitam o contraditório”, mas sem sucesso, o CCAC continuou a sua teoria que prova, segundo a testemunha, o que consta da acusação.

 

Quase sem responder a perguntas, Ao Pan San falou durante várias horas de como funcionavam os alegados esquemas de Ho Chio Meng. Confrontada pela defesa, contudo, a mulher admitiu falar por vezes em “probabilidades e crenças”, não tendo verificado alguns dos factos: por exemplo, o CCAC toma como certa a presença de Ho Chio Meng num carro visto a entrar num apartamento onde a investigadora diz que estaria alojada Wang Xiandi, alegada “amiga” de Ho Chio Meng que beneficiou do erário público através de falsos contratos de trabalho com o Ministério Público. Não há imagens do condutor, nem gravações que coloquem o ex-Procurador no local, mas o CCAC assegura veemente ser Ho Chio Meng quem esteve dentro do edifício, onde morava também o seu pai.

 

O depoimento foi bastante confuso, com a testemunha a confirmar factos de que depois assumia não ter a certeza. Esta situação levou até o Tribunal a anunciar que vai descartar algumas declarações da testemunha, como as que asseguram que era Ho Chio Meng quem alterava as propostas das empresas fictícias.

 

Ainda assim documentos mostrados em Tribunal indicam que as despesas das empresas fachada eram suportadas pelo Ministério Público e também que os arguidos sabiam de antemão estar a ser investigados, o que levou alguns deles a sair de Macau.

 

Um documento que terá sido escrito por Ho Chio Meng foi também mostrado em tribunal: o papel parece ser uma coordenação de depoimentos e foi o que serviu de base para a prisão preventiva dos dois empresários Mak Im Tam e Wong Kuok Wai, após o ex-Procurador ter sido detido a 26 de Fevereiro de 2016.