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Arguido próximo de Ho Chio Meng confirma que é junket
Segunda, 20/02/2017

Mak Im Tai, empresário arguido no processo conexo ao do ex-Procurador, confirmou esta tarde, em tribunal, ligações a várias salas de jogo VIP e que usou os lucros dos contratos com o Ministério Público para comprar fichas mortas, que revendia a jogadores de altas apostas. Negou, no entanto, qualquer participação de Ho Chio Meng em casinos.

 

No processo principal, que decorre no Tribunal de Última Instância, o ex-Procurador é acusado de ter investido 9,3 milhões de patacas numa sala VIP, através do irmão. Ho Chio Meng confirmou a transferência de dinheiro para Ho Chio Shun, mas negou a intenção de investir num junket: alegou que o capital destinava-se antes à compra de um apartamento.

 

A versão do ex-Procurador foi reforçada esta tarde por Mak Im Tai, que começou a ser ouvido no Tribunal Judicial de Base. O arguido, amigo de longa data de Ho Chio Meng, disse que o antigo líder do MP “não tinha ligações à actividade de bate fichas”.

 

Mak Im Tai é junket há mais de dez anos e confirmou ter ligações a vários casinos. Em tribunal, destacou duas salas VIP no Galaxy. Admitiu também que era com o dinheiro conseguido através dos contratos com o MP que comprava fichas mortas em salas de altas apostas. A actividade de bate fichas fazia, de resto, parte de um acordo com o sócio, também arguido: Wong Kuok Wai geria as empresas que prestavam serviço ao MP; Mak investia o lucro dos contratos em casinos.

 

De acordo com a acusação, foi Ho Chio Meng quem deu ordens aos dois empresários para criarem um grupo de empresas fantasma, com a garantia de que ficariam com todos os contratos de obras e aquisição de bens e serviços do MP.

 

Mak Im Tai disse estar afastado da administração das empresas, mas confirmou que o cunhado de Ho era “funcionário a tempo parcial”. O arguido confirmou também que as companhias cessaram actividade na sequência da investigação do Comissariado contra a Corrupção porque “já não havia negócio”.

 

Durante a audiência, foram ainda reproduzidas conversas telefónicas, alegadamente tidas entre Ho Chio Meng, Mak Im Tai e Wong Kuok Wai, em que são usados os nomes de código que os arguidos teriam na suposta associação criminosa do ex-Procurador.

 

Há ainda chamadas em que Ho, Mak e um sócio de uma sala VIP, proprietário de uma das fracções arrendadas pelo Gabinete do Procurador, combinam encontrar-se na “escola nocturna”. O arguido confirmou que a expressão era linguagem codificada para uma sauna, localizada perto do MP.