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Arguido confirma ligação de familiares de Ho às empresas
Sexta, 17/02/2017

Wong Kuok Wai, arguido no processo conexo ao de Ho Chio Meng, confirmou esta tarde, em tribunal, ligações do irmão e do cunhado do ex-Procurador às empresas beneficiadas pelo Ministério Público com milhares de contratos. Aos 56 anos, acusado de burla, branqueamento de capitais e participação em sociedade secreta, o empresário prestou um depoimento confuso, pautado por várias falhas de memória e que confirmou em boa parte a tese da acusação.

 

Lam Peng Fai, juiz presidente do tribunal colectivo que começou hoje a julgar os nove arguidos acusados no processo conexo ao do ex-Procurador, concluiu já que Wong Kuok Wai, empreiteiro,  é um caso único. “Conseguiu milhares de contratos. É extraordinário. Não há mais ninguém em Macau que consiga fazer este tipo de trabalho – vai da desinfestação baratas à compra de vidros à prova de bala. É uma capacidade fora do comum”, afirmou.

 

O juiz perguntou ainda ao arguido se estava à espera que o tribunal acreditasse que conseguiu as adjudicações “por sorte” ou “por ter boa capacidade de negociação”.

 

Wong Kuok Wai não soube explicar como conseguiu ficar com todos os contratos de obras, bens e serviços atribuídos pelo Ministério Público durante o tempo quem que Ho Chio Meng foi Procurador. O arguido confirmou, no entanto, que o irmão e o cunhado de Ho Chio Meng tinham ligações às empresas: Ho Chiu Shun servia de intermediário com fornecedores da China; Lei Kuan Pun era “funcionário a tempo parcial”.

 

Wong Kuok Wai disse ainda que conseguiu os contratos por iniciativa do MP: alegou que havia funcionários (não identificou quais) que lhe ligaram a pedir orçamentos para a prestação dos serviços e que, na proposta, indicasse também duas empresas concorrentes e respectivas cotações. Resultado: as três sociedades, em aparente concurso, eram, na maioria das vezes, todas controladas pelos arguidos.

 

“Não há nenhum serviço público que vá pedir a uma empresa que apresente também as concorrentes, a não ser que seja maluco ou anormal”, declarou o juiz, sugerindo que Wong tinha pleno conhecimento de que estava a ser favorecido.

 

O empresário confirmou também que, nos casos em que não tinha experiência ou competência para executar os contratos, contratava outras empresas, através de subempreitadas, com uma margem de lucro de 10 por cento.

 

As empresas controladas pelos arguidos foram extintas durante a investigação do Comissariado contra a Corrupção. Além dos nomes, tinham sócios diferentes, como as mulheres dos empresários. Wong Kuok Wai tentou justificar a constituição de várias empresas, com os mesmos três funcionários, com o diferente tipo de serviços prestados ao Ministério Público, mas não terá conseguido convencer o tribunal.