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Irmão e cunhado de Ho Chio Meng em parte incerta
Sexta, 17/02/2017

Os familiares de Ho Chio Meng acusados no processo conexo ao do ex-Procurador faltaram à primeira audiência de julgamento, que começou esta manhã no Tribunal Judicial de Base. O irmão e o cunhado estão em parte incerta – tal como mais dois arguidos. Já a mulher está em Macau.

 

Acusada de dois crimes de prestação de falsas declarações e um de riqueza injustificada em co-autoria com o marido, Chao Sio Fu faltou hoje para dar assistência a um dos filhos do casal, menor, que se encontra hospitalizado. A arguida deverá marcar presença nas próximas sessões.

 

Ho Chio Meng ilibou já a mulher. No depoimento prestado no Tribunal de Última Instância, onde está a ser julgado pela prática de mais de 1500 crimes, o ex-Procurador assumiu total responsabilidade pela omissão de bens na declaração de rendimentos que ambos estão obrigados a prestar. A informação em falta dirá respeito à apartamentos, parques de estacionamento e contas bancárias em Macau e na China.

 

Já o irmão e o cunhado de Ho Chio Meng vão ser julgados à revelia: estão em parte incerta. Ho Chiu Shun e Lei Kwan Pun estão acusados de burla, branqueamento de capitais e associação criminosa.

 

Há mais dois arguidos a monte. A saber: Alex Lam, funcionário de uma das empresas envolvidas no processo, e Wang Xiangdi, uma alegada amiga de Ho Chio Meng que teria um emprego fictício no Ministério Público, com direito a várias regalias, como motorista e viagens pagas ao exterior.

 

Dos nove arguidos que fazem parte deste processo, apenas quatro compareceram em tribunal: António Lai, ex-chefe de gabinete do antigo Procurador e Chan Ka Fai, antigo assessor do MP, ambos acusados de burla; e os dois empresários que terão agido em conluio com Ho Chio Meng e estão em prisão preventiva, Wong Kuok Wai e Mak Im Tai.

 

Hoje, o TJB ouviu o empresário Wong Kuok Wai, que começou por negar as acusações de que é alvo. O arguido disse que “ninguém” lhe chamava “Capitão”, o nome de código que teria dentro da alegada associação criminosa chefiada por Ho Chio Meng.

 

Wong Kuok Wai também qualquer participação no grupo de malfeitores que, de acordo com acusação, constituiu dez empresas fantasma para açambarcar todos contratos de obras, serviços e fornecimento do MP, durante o tempo em que Ho Chio Meng foi Procurador.


O empresário não conseguiu explicar como ganhou milhares de adjudicações, sem ter competências para tal. Lam Peng Fai, juiz que preside ao julgamento, concluiu já que a justificação mais óbvia é o que consta da acusação: Ho Chio Meng terá dado indicações aos empresários para avançarem com todas as propostas de contratação ao MP, através de empresas com diferentes nomes e sócios, e assim encobrir a entrega de milhares de contratos sempre às mesmas pessoas.

 

O alegado esquema terá valido aos arguidos cerca de 50 milhões de patacas, distribuídos ao longo de mais de dez anos.