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MP tenta provar que Ho Chio Meng ignorou avisos de adjunta
Quarta, 25/01/2017

O Tribunal de Última Instância assistiu hoje à tentativa do Ministério Público de demonstrar que o ex-Procurador da RAEM fez tábua rasa de pareceres internos que davam conta de irregularidades nos contratos. Mas a antiga adjunta de Ho Chio Meng surpreendeu: disse que nunca falou directamente com o chefe máximo sobre o assunto.

 

Elsa Cheang, chefe adjunta do Gabinete do Procurador durante o mandato de Ho Chio Meng, esteve a ser ouvida no TUI pelo segundo dia. Depois de, na segunda-feira, ter prestado um depoimento assertivo, em que confirmou ilegalidades na aquisição de bens e serviços para o MP, a testemunha mostrou-se hoje mais hesitante e com algumas falhas de memória.

 

Do processo consta uma carta de Ho Chio Meng, de 2004, em que Elsa Cheang pede escusa nas decisões sobre as contratações do MP por sentir “incómodo” e “transtorno” pela forma como os processos eram conduzidos. O pedido foi aceite, mas a adjunta continuou a fazer pareceres e a tomar decisões quando o então chefe do Gabinete do Procurador, António Lai, estava ausente.

 

Esta tarde, a acusação mostrou pareceres em que Elsa Cheang concluiu que havia ilegalidades e que terão sido ignorados por António Lai.

 

O MP insistiu: quis saber por que a testemunha não aproveitou os momentos em que substituiu o chefe de Gabinete no cargo para avisar Ho Chio Meng de que estavam a ser cometidas ilegalidades. “Por que não reflectiu essa situação junto do ex-Procurador para salvaguardar o bom nome do MP? Não sentiu essa necessidade?”, questionou o delegado do Procurador.

 

Elsa Cheang disse que cumpriu os seus deveres ao fazer os pareceres, não se sentido responsável pelo facto de serem ou não seguidos. “O meu superior sabe mais do que eu. Manifestei a minha opinião. Se é aceite ou não... É a minha opinião”, declarou.

 

Apesar das sucessivas tentativas da acusação em provar o contrário, Elsa Chan disse que nunca advertiu directamente Ho Chio Meng sobre as práticas irregulares. Face à insistência do MP, acabou por lembrar que o Comissariado de Auditoria também fiscalizava as contas da procuradoria e “nunca ninguém referiu problemas”.