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Ho Chio Meng: Adjunta pediu escusa nas adjudicações do MP
Segunda, 23/01/2017

A ex-chefe adjunta do Gabinete do Procurador revelou hoje em tribunal que pediu para não ter qualquer intervenção nas decisões sobre a adjudicação de bens e serviços do Ministério Público. Ouvida como testemunha no processo contra Ho Chio Meng, Elsa Cheang disse que a forma de contratação lhe causava “incómodo” e “transtorno” – isto apesar de se ter mantido em funções, tendo recebido um louvor do ex-Procurador.

 

Elsa Cheang foi notícia logo após a mudança de Governo ao ser despromovida pelo actual Procurador, Ip Son Sang. A promoção, decidida por Ho Chio Meng dias antes de terminar o mandato, e foi anulada por questões ilegais – o despacho de promoção foi assinado pelo então chefe do Gabinete do ex-Procurador, António Lai, também beneficiado.

 

Além da ascensão para o topo da carreira, Ho Chio Meng distinguiu a Elsa Cheang com uma nota de louvor, publicada em Boletim Oficial, em que elogiu a “forma rigorosa, disciplinada, profissionalizada, séria e dedicada” como a adjunta exerceu funções.

 

No entanto, no depoimento prestado esta tarde em tribunal, Elsa Cheang deu conta de divergências com a equipa de Ho Chio Meng, pouco tempo após a transfêrencia.

 

Em 2004, a chefe adjunta do Gabinete escreveu uma carta ao ex-Procurador a pedir escusa nas decisões sobre as contratações do MP – ponto essencial no processo contra Ho Chio Meng. O Ex-Procurador acusado de ter desviado 50 milhões de patacas, através de adjudicações a empresas detidas por familiares e pessoas próximas.

 

Elsa Cheang disse a Ho Chio Meng que a forma como os contratos passaram a ser feitos lhe causava “transtorno” e “incómodo”. O mau-estar, explicou em tribunal, resultou da decisão do ex-Procurador de criar uma equipa independente, com as mesmas funções do departamento financeiro do MP, para decidir das adjudicações e valores dos contratos.

 

A adjunta de Ho Chio Meng afirmou que a sobreposição de funções causava “contradições”. Houve já vários funcionários do MP que testemunharam que o grupo paralelo estabelecido pelo ex-Procurador ocultava informações relevantes para a liquidação das despesas correntes, como o custo real dos serviços adquiridos.

 

Elsa Cheang exemplificou com os gastos das viagens oficiais. A testemunha disse que alertou, por duas vezes, António Lai para os preços “acima do valor de mercado” que estavam a ser cobrados. O ex-chefe de Gabinete de Ho Chio Meng terá dito à adjunta para não se envolver no assunto.

 

A testemunha foi também ouvida sobre as alegadas contratações por ‘cunha’ para o Gabinete do Procurador – serão familiares e pessoas próximas de Ho Chio Meng. Elsa Cheang disse que houve recomendações pessoais de António Lai, mas não concretizou.

 

Já Ho Chio Meng apresentou ao tribunal uma lista com as 14 pessoas que diz ter recomendado para o MP.