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Motorista de Ho Chio Meng afasta tentativa de fuga; MP nega
Sexta, 20/01/2017

A alegada tentativa de fuga que resultou na prisão preventiva de Ho Chio Meng marcou a sessão de hoje do julgamento do ex-Procurador. Quase um ano depois, o Tribunal de Última Instância continua a ouvir duas versões distintas sobre o que aconteceu na manhã de 26 de Fevereiro de 2016 – o dia em que Macau foi surpreendido com o segundo maior escândalo de corrupção, depois do caso do ex-secretário Ao Man Long.

 

A primeira versão chegou através de Mo Zhi Cheng, motorista do Ministério Público que conduziu Ho Chio Meng ao terminal marítimo no dia da detenção – véspera da decisão do Tribunal de Última Instância de colocar o ex-Procurador em prisão preventiva por risco de fuga, após mais de um ano sob investigação por corrupção.

 

Ouvido como testemunha no processo contra Ho Chio Meng, o motorista disse que nada o levou a crer que o ex-Procurador se preparava para fugir de Macau. O bilhete de barco tinha sido comprado no dia anterior, através do Gabinete do Procurador, Ho Chi Meng estava sem bagagem e não dava o mínimo sinal de nervosismo. Ao motorista, tudo pareceu “uma coisa normal” – terá também ficado combinado que iria buscar o ex-Procurador ao terminal marítimo, no final do dia.

 

A esta versão, Ho Chio Meng acrescentou que o bilhete para Hong Kong era de ida e volta.

 

Horas depois, na recta final da sessão de julgamento, chegou a versão do Ministério Público, com a acusação a garantir que o bilhete era apenas de ida e que Ho Chio Meng se preparava para sair de Macau não de barco, mas de helicóptero.

 

Voltamos à versão de Ho Chio Meng. O ex-Procurador reiterou que o bilhete era de ida e volta e revelou que recebeu um telefonema que lhe terá trocado as voltas da viagem. Um “Sr. Lau”, que descreveu “uma pessoa especial”, sugeriu-lhe que poupasse tempo e fosse de helicóptero: à tarde teria um encontro “muito importante” com um deputado. “Não ia fugir”, frisou.

 

Facto: Ho Chio Meng não saiu de Macau. Quanto ao resto, como concluiu o juiz presidente do Tribunal de Ultima Instância, Sam Hou Fai, “cada um tem a sua versão”.