Em destaque

25 de Abril de 2019: às 12h30, o BNU negociava 1 euro por 9,0449 patacas e 1,1156 dólares norte-americanos.

 

Ho Chio Meng terá tentado reaver prova apreendida pelo CCAC
Quarta, 18/01/2017

Já sob investigação, Ho Chio Meng terá tentado recuperar um documento apreendido durante buscas feitas pelo Comissariado contra a Corrupção (CCAC). Em causa, uma caderneta bancária do cunhado encontrada na casa do motorista do ex-Procurador, que, esta tarde, confirmou cobrar rendas em nome de familiares e um amigo do arguido.

 

Ouvido no Tribunal de Última Instância como testemunha da acusação, Mak Hak Neng disse que, a pedido do ex-Procurador, “ajudava” a executar contratos de arrendamento referentes a fracções e parques de estacionamento em nome do cunhado de Ho Chio Meng, Lei Kuan Pun, e de Mak Im Tai, empresário arguido no processo e amigo de longa data do antigo líder do Ministério Público.

 

O facto de estar responsável por “ver se [os arrendatários] pagavam as rendas” foi a explicação dada pelo motorista oficial do ex-Procurador para estar na posse de cadernetas bancárias de Lei Kuan Pun e de Mak Im Tai. Os documentos foram encontrados pelo CCAC durante uma busca à residência da testemunha.

 

 

Mak Hak Neng confirmou também que, a pedido do ex-Procurador, foi ao CCAC pedir a devolução da caderneta do cunhado de Ho Chio Meng, que permaneceu apreendida como prova.

 

A testemunha admitiu ainda que transportou grandes quantias de dinheiro para Zhuhai em nome do ex-Procurador: os valores eram depositados numa conta individual de Ho Chio Meng. O motorista disse, a partir de 2005 ou 2006, passava a fronteira, “mensalmente”, com montantes entre 100 a 300 mil dólares de Hong Kong. Os valores, como observou o Ministério Público, “ultrapassavam o limite estabelecido por lei”, mas a testemunha não esclareceu se alguma vez teve problemas na Alfândega.

 

Esta tarde, a acusação tentou também provar que Ho Chio Meng tinha encontros com mulheres em quartos de hotel, em Macau e Zhuhai, pagos pelo Ministério Público. A agenda telefónica do motorista do ex-Procurador foi uma das provas apresentadas: Mak Hak Neng registou contactos de várias mulheres, dados por Ho Chio Meng – algumas tinham a expressão “cor vermelha” associada ao nome e, na versão da testemunha, seriam “hospedeiras”.

 

Mak Hak Neg confirmou também que chegou a transportar estas mulheres para hotéis e fez ‘check in’ em quartos que nunca utilizou – a chave, disse, era entregue a Ho Chio Meng. A acusação mostrou duas facturas referentes a uma das reservas feitas em nome do motorista: uma está assinada com o carácter “Mou”, que acusação diz ser uma mulher; outra terá sido assinada pelo ex-Procurador, às 2 da manhã.

 

Em tribunal, foi também ouvida uma escuta telefónica entre a testemunha e Ho Chio Meng. A chamada foi feita na véspera de Mak Hak Neng prestar declarações no CCAC. O motorista começou por negar o telefonema, mas acabou por confessar, depois de ter sido ameaçado de processo-crime por mentir sob juramento. Na conversa, o ex-Procurador diz ao motorista: “Não fales muito”.

 

A testemunha garantiu que não contou o que se passou durante o depoimento no CCAC a Ho Chio Meng, nem a outros arguidos no processo. Confirmou, no entanto, que, no dia seguinte, encontrou-se com Wong Kuok Wai para lhe entregar uma caixa de chá a pedido do ex-Procurador.