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Arguidos “sentiam” estar sob escuta antes de Ho ser detido
Segunda, 16/01/2017

Chan Ka Fai, ex-funcionário do Ministério Público (MP), afirmou hoje em tribunal que, no Verão de 2015, havia suspeitas de uma investigação criminal em curso – meses antes de o ex-Procurador, Ho Chio Meng, ter sido preso preventivamente por risco de fuga. “Achávamos que estávamos sob investigação. Não sabíamos quem eram os arguidos, mas sentíamos que estávamos sob escuta”, declarou.

 

A afirmação surgiu quando a testemunha foi confrontada com um telefonema que fez a Wong Kuok Wai, o empresário responsável pelas obras e aquisições de bens e serviços do MP, durante o tempo em que Ho Chio Meng foi Procurador. O contacto, de acordo com Chan Ka Fai, foi estabelecido a pedido de António Lai que, apesar de ter já deixado o cargo de chefe de Gabinete, “queria acompanhar as obras” feitas antes de Ip Son Sang substituir Ho Chio Meng. “Wong Kuok Wai disse, de forma indirecta, que o telefone estava sob escuta. Fiquei com medo e desliguei. É uma reacção normal”, disse Chan Ka Fai.

 

No testemunho, que se prolongou durante todo o dia, o ex-assessor pronunciou-se também sobre a “sala de descanso para docentes” do MP que, de acordo com a acusação, era utilizada por Ho Chio Meng para actividades de lazer. Chan Ka Fai descreveu a sala, onde foi instalada uma sauna, como um local de acesso reservado: “Não podíamos ir à ‘sala de descanso’. Tínhamos de confiar em Wong Kuok Wai [para pagar as despesas com obras e manutenção]”.

 

O ex-assessor revelou ainda que, no inventário de bens móveis apresentado às Finanças, a descrição de alguns itens foi alterada: uma cadeira de massagens passou a “cadeira de descanso”. A mudança de nomes terá sido feita pelo ex-chefe de Gabinete do Procurador, António Lai.