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Empresários envolvidos no caso Ho com familiares no MP
Quarta, 11/01/2017

Três arguidos no processo do ex-Procurador confirmaram hoje a existência de relações familiares entre funcionários do Ministério Público (MP) e os empresários que beneficiaram dos contratos atribuídos pelo Gabinete do Procurador. Entre estas testemunhas esteve António Lai, antigo chefe de gabinete de Ho Chio Meng, ouvido esta tarde no Tribunal de Última Instância (TUI).

 

António Lai disse que havia “dois ou três” familiares do ex-Procurador a trabalhar no MP e confirmou que um destes funcionários é a mulher do empresário Wong Kuok Wai, também arguido no processo, acusado de associação criminosa com Ho Chio Meng por ter ficado com todos os contratos de obras e aquisição de bens e serviços do MP, durante dez anos.

 

Em tribunal não foi dito qual o grau de parentesco entre a mulher do empresário e Ho Chio Meng.

 

A acusação diz que o ex-Procurador contratou familiares e pessoas próximas dos empresários para facilitar as adjudicações sempre às mesmas empresas.

 

Ouvido esta manhã no TUI, Wong Kuok Wai confirmou que um dos trabalhadores das companhias também tinha um familiar no MP: seria a irmã mais velha. Já Mak Im Tai, o segundo empresário envolvido no processo, declarou que a cunhada era funcionária no MP e que era amigo de Ho Chio Meng há mais de 20 anos.

 

Em prisão preventiva, os dois empresários pediram para não ser ouvidos como testemunhas sem aconselhamento do advogado por ser arguidos num processo conexo a este caso, que começa a ser julgado em Fevereiro. O TUI rejeitou o pedido, alegando que seriam apenas ouvidos sobre factos que constavam da acusação.

 

A regra aplicou-se também a António Lai que, durante o depoimento, perguntou várias vezes se as respostas às perguntas do MP prejudicavam o direito ao silêncio enquanto arguido.

 

O antigo chefe de gabinete de Ho Chio Meng foi ouvido sobre uma “sala de descanso para docentes” que funcionaria como espaço de lazer do ex-Procurador. Foi António Lai quem assinou o contrato de arrendamento, mas não soube esclarecer o tribunal sobre a utilidade da sala.

 

António Lai foi também questionado sobre as funções do Departamento de Apoio Judiciário, onde trabalhou um sobrinho de Ho Chio Meng e Wang Xiandi, arguida no processo e que, na versão da acusação, teria aqui um “emprego fictício”.

 

De acordo com a testemunha, o Departamento de Apoio Judiciário lidava com processos que envolviam cooperação com as autoridades da China. O TUI quis saber por que estes trabalhos estavam entregues a pessoal administrativo e não a magistrados, mas António Lai disse não saber responder à questão por ser uma matéria da responsabilidade de Ho Chio Meng.