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Arguidos obrigados a testemunhar no caso Ho Chio Meng
Quarta, 11/01/2017

O Tribunal de Última Instância ouviu esta manhã, como testemunha no processo do ex-Procurador, Ho Chio Meng, o empreiteiro responsável por obras no Ministério Público e que foi também constituído arguido. Mas o depoimento do empresário ficou marcado por falhas de memória e o pedido (em vão) para não ser ouvido sem falar primeiro com o advogado.

 

Em prisão preventiva, Wong Kuok Wai – que responderá também pelo nome de código “Capitão”, dentro da alegada associação criminosa criada por Ho Chio Meng – disse que foi notificado para ser testemunha com um dia de antecedência. O advogado interpôs recurso, evocando o direito ao silêncio do arguido, mas o TUI decidiu que o testemunho podia prosseguir por envolver factos que, no entendimento do tribunal, dizem apenas respeito à acusação contra Ho Chio Meng.

 

Wong Kuok Wai foi questionado sobre uma “sala de descanso para docentes” do MP que, de acordo com acusação, seria usada pelo ex-Procurador para serviços de massagem. Esta manhã, o Ministério Público mostrou fotografias que comprovam a existência de uma sauna, um bar, colchões, camas, uma mesa de pingue-pongue e uma bicicleta de ginásio no espaço.

 

Esta sala, arrendada pelo MP, funcionava no mesmo piso do Gabinete do Procurador – até ter sido arrombada, em Janeiro de 2015, por ordens de Ip Son Sang, que sucedeu a Ho Chio Meng no cargo.

 

Pelas fotografias mostradas em tribunal, a entrada para a “sala de descanso” passaria despercebida: não havia uma placa identificativa e seria preciso tocar a uma campainha para entrar.

 

Wong Kuok Wai confirmou que fez obras na sala e que era responsável pela manutenção e limpeza do espaço, onde disse ir duas vezes por semana. Ainda assim, disse não se lembrar se o espaço tinha sauna, bar e camas, mas declarou ter presente a existência de mesas de conferência e de material de trabalho.

 

O empresário foi ainda confrontado com recibos de lavandaria referentes a peças de roupa, como saias, mas disse desconhecer se a prestação destes serviços estava relacionado com a “sala de descanso”, que Ho Chio Meng afirmou já ter usado como armazém enquanto mudava de casa.

 

Wong Kuok Wai confirmou também que arrendou uma fracção no mesmo piso do MP como sede das empresas e explicou que era ele quem tomava a iniciativa de fazer obras e trabalhos de manutenção nos espaços arrendados pelo Gabinete do Procurador. O orçamento e pagamento das despesas era tratado “directamente” com um funcionário do MP, identificado como Roque Silva Chan, por ser “quem sabe mais” destes assuntos.

 

O TUI ouviu ainda o sócio de Wong, Mak Im Tai. O arguido pediu também para não ser ouvido sem aconselhamento do advogado, mas o tribunal repetiu a argumentação. Como testemunha, o empresário confirmou que a cunhada era funcionária do MP e que era “amigo” do marido da proprietária da vivenda em Coloane que Ho Chio Meng arrendou através do Gabinete do Procurador e que terá usado para fins particulares.