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Ho confirma ter dado dinheiro que foi investido em “junket”
Segunda, 09/01/2017

Ho Chio Meng confirmou, esta manhã, que transferiu dinheiro para o irmão que foi, meses depois, investido numa sala de jogo VIP. O ex-Procurador negou, no entanto, qualquer envolvimento no negócio e justificou o movimento de capitais com a compra de um apartamento.

 

A confirmar-se a versão do Ministério Público, este é um crime que Ho Chio Meng terá cometido quando tinha já pleno conhecimento de que estava a ser investigado pelo Comissariado contra a Corrupção (CCAC). O ex-Procurador é acusado de ter investido 9,3 milhões de patacas numa sala de altas apostas, através da compra de participações na Sociedade de Promoção de Jogos Seng Ou Limitada. Este investimento terá sido feito através de um irmão, Ho Chiu Shun, também arguido no processo, e de um intermediário, em Junho de 2015 – quatro meses depois de Ho Chio Meng ter sido ouvido, pela primeira vez, no CCAC.

 

O antigo Procurador confirmou ter transferido 9,3 milhões de patacas para o irmão no início de 2015, mas alegou que o dinheiro destinava-se à compra de um apartamento na Praia Grande, em nome de Ho Chiu Shun desde 2006.

 

Apesar de recordar, em tribunal, uma conversa em que o irmão lhe terá dito que o jogo VIP era ainda um negócio “com futuro” em Macau, Ho Chio Meng disse desconhecer por completo que o dinheiro acabou por ser investido num casino: descreveu o investimento como uma decisão exclusiva do irmão.

 

O tribunal pediu provas da compra do apartamento, mas Ho Chio Meng disse que não teve tempo de assinar a escritura por estar sob investigação na altura dos factos, tendo sido preso preventivamente em Fevereiro do ano passado.

 

O investimento na sala de jogo faz parte do esquema de lavagem de dinheiro que o Ministério Público associa ao ex-Procurador. Ho Chio Meng não conseguiu explicar as transferências de capitais entre o irmão e os sócios do grupo de dez empresas que, durante dez anos, ficaram com todos os contratos atribuídos pelo MP.

 

A acusação diz que o ex-Procurador deu instruções aos dois sócios destas empresas, ambos arguidos no processo, para abrirem contas, receberem e movimentarem os alegados subornos. Além da sala de jogo, este dinheiro terá sido investido em imóveis, num parque de estacionamento e depositado em contas poupança, em Macau e na China.

 

Ho Chio Meng negou todas as acusações – disse que a tese do MP não passa de “uma dedução” e pediu provas. “Para a acusação, é impossível [descrever] factos objectivos. Não há factos que possam apresentar. Apenas dizem: ‘O fulano pediu, o fulano deu instruções’. Isto é uma presunção”, declarou. E insistiu:“Têm de dizer quais os factos, a data, a hora [a que foram cometidos], como dei instruções e qual foi o resultado”.

 

A acusação associa os movimentos das contas bancárias com conversas telefónicas tidas entre Ho Chio Meng, o irmão, um cunhado e os dois sócios das empresas. O ex-Procurador nega qualquer ligação entre as chamadas e as transferências e disse que, quando leu esta parte esta acusação, se lembrou de “um jogo”: “adivinhar” quem é Ho Chio Meng nas escutas.