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Coutinho nega impacto da detenção de filhos nas eleições
Terça, 27/12/2016

Pereira Coutinho acredita que não vai ser afectado negativamente como deputado pela detenção dos dois filhos por suspeitas de tráfico de droga, disse esta tarde o deputado numa conferência de imprensa convocada para “clarificar notícias recentes”.

 

Sem nunca se referir ao caso em concreto, alegando o segredo de justiça, Coutinho limitou-se a confirmar que um dos filhos, de 31 anos de idade, se encontra detido preventivamente, tendo o outro, de 27 anos, sido libertado sob fiança, estando agora sujeito a termo de identidade e residência.

 

Lembrando que são maiores de idade, o deputado e presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) defendeu que não pode ser responsabilizado pelos actos dos filhos: “Digo sinceramente que [este caso] de nada me está afectar pessoalmente, porque acredito que as pessoas de Macau sabem ver a diferença das coisas. Uma coisa é eu pessoalmente ter de assumir responsabilidades de um caso concreto, outra coisa é pessoas adultas. Estamos a falar de um rapaz de 31 anos de idade e de outro de 27, que terão que assumir, perante a lei, as suas responsabilidades”.

 

De acordo com a Polícia Judiciária, “dois irmãos de Macau foram interceptados no dia 21 na posse de um quilo de marijuana”.

 

Num comunicado datado do dia da detenção, no qual não é feita qualquer menção à identidade dos suspeitos, as autoridades informam que, ao todo, foram detidos três residentes, sendo que a droga apreendida nesta operação vale cerca de 500 mil patacas.

 

Os três suspeitos foram presentes ao Ministério Público por tráfico de estupefacientes e detenção indevida de utensílios, e a Polícia Judiciária acrescentou que “continua à procura de eventuais cúmplices em fuga”.

 

Questionado sobre os pormenores do caso, Coutinho disse-se limitado pelo segredo de justiça e que aguarda “serenamente, porque confiamos na justiça”.

 

A conferência de imprensa decorreu na sede da ATFPM, que encheu para ouvir Pereira Coutinho agradecer as “mensagens de solidariedade e apoio moral” que recebeu nos últimos dias.

 

Em troca, Coutinho prometeu continuar a ser o mesmo: “A minha conduta não vai mudar minimamente”.

 

À entrada de um ano de eleições, Coutinho reafirmou ainda, já em modo de pré-campanha, a vontade de se candidatar a um novo mandato: “Se me perguntar se estou interessado em concorrer no próximo ano, evidentemente que sim. Porque eu tenho um sonho, que as seis comissões da Assembleia Legislativa tenham as portas abertas e permitam que os jornalistas de Macau tenham acesso às reuniões”.

 

Dizendo que ainda aguarda a resposta de Leong Veng Chai, que há quatro anos foi o segundo deputado eleito pela lista Nova Esperança, da ATFPM, Coutinho garante que se encontra preparado para os desafios que tem pela frente na Assembleia Legislativa: “Eu estou psicologicamente e emocionalmente em forma para enfrentar os futuros desafios que têm a ver com as minhas responsabilidades como deputado da Assembleia Legislativa”.

 

Ao lado de Rita Santos, presidente da assembleia-geral da ATFPM, que falou de Pereira Coutinho como alguém inteiramente dedicado aos outros, o deputado admitiu que os quase 12 anos que já leva na Assembleia Legislativa podem ter feito com que não desse a atenção devida à família: “Se houve ou não falta de tempo, devo dizer, sem margem para dúvidas, que poderia, talvez, fazer mais e melhor em termos do acompanhamento dos filhos. Mas não vale a pena voltar para trás para ver aquilo que foi bem ou mal, mas sim olhar para a frente”.

 

Agora, quando atravessa o que diz ser um “momento difícil” e uma “dolorosa situação”, Coutinho pediu ainda “o grande favor” de que seja respeitada a privacidade da família”, já que “não são figuras públicas”.